Olá, Alexandre Galvão!
Seja bem-vindo.
Eu acho mesmo interessante que a sua postura seja exatamante igual a muitas que li aqui, pelo tom circular da argumentação, que vai mais ou menos na seguinte linha:
Se Deus sabe de todas as coisas que acontecerão, antes mesmo que elas aconteçam, então essas coisas vão ter que necessariamente acontecer. Se elas necessariamente vão acontecer, sem que haja possibilidade de Deus estar enganado sobre o que vai ocorrer, logo, elas estão determinadas previamente. Se estão determinadas previamente, logo foi Deus quem predeterminou. Se foi Deus quem predeterminou, então foi ele que quis.
Isso, simplesmente, não faz sentido, pois a colocação de que Deus tenha predeterminado qualquer coisa não tem NENUHMA relação lógica necessária com a afirmação de que Deus sabe de todas as coisas. Exista um vício de transmissão aqui, com um pequeno jogo de palavras entre
determinado e
predeterminado.
Determinado, no primeiro sentido ("vai ter que acontecer, pois Deus já sabe"), quer dizer que, assim como uma posição é sabida ela está determinada. Por exemplo, num campo de futebol, se eu digo que a bola está exatamente no meio do campo, quero dizer que sua posição está determinada. Se eu já vi a partida de futebol (suponhamos que eu tenha gravado para ver mais tarde, depois do horário normal do jogo), embora o que tenha acontecido já esteja determinado (por onde a bola percorrerá durante todo o jogo, quem fez gol, a torcida, etc.), não necessariamente o jogo foi
predeterminado. Posso assistir à gravação quantas vezes eu quiser, que o resultado já está determinado, é verdade, mas não fui eu quem determinou o resultado.
Embora esse seja um exemplo bem tosco, acho que ele elucida a diferença entre determinação e predeterminação. A transposição de sentido parece ter causado muita confusão até hoje, criando um raciocínio circular.
Outra forma de ver que Deus pode saber de todas as coisas é que ele pode saber e chorar sobre o péssimo estado em que se encontra a maioria da população no mundo, embora tenha pleno poder para fazer o que quiser e, deliberadamente, por sua soberania, resolver não intervir nas relações humanas.
O
Yvson colocou muito bem a questão, nem precisaria eu responder aqui.
Mas acho irônico você afirmar o que afirma justamente num tópico que fale sobre fatalismo.
Sua descrição é a do mais puro fatalismo, só que o agente dele é Deus.
Eu acho que a preocupação exagerada com a soberania de Deus extrapola qualquer limite do razoável no calvinismo, a ponto de afirmar que o pecado seja parte dos planos de Deus e não algo apesar dos planos de Deus, com o qual Ele, de forma amorosa e graciosa tece novos planos.
O fato de que Deus seja soberano não tem a ver com o fato de ele ter que determinar todas as coisas.
Na verdade, a afirmação de que Deus decreta todas as coisas é uma limitação da soberania de Deus e, por isso, o torna menos soberano.
Dizer que Deus determinou o mal, a peste, a fome, a morte, estupros, assassinatos e roubos é a mais insana loucura que eu já li e me impressiona ver como alguns cristãos sinceros repetem essa ladainha maluca há tanto tempo.
Alexandre galvão escreveu:pois somos seres morais porque fomos criados a imagem de Deus e não porque somos livres...
Isso e nada são a mesma coisa, pois moral necessita de liberdade para ser exercitada. A moral pode ser vista como o objeto, cujo mecanismo é a liberdade.
É impressionante, mas seu comentário é um exemplo fiel do tipo de argumentação de que o
PC falou, sobre as mãos geladas.
Um abraço e fique em paz, sem a ira do Senhor.
Espero que sobre você nunca caia a ira do Senhor, mas apenas a Sua maravilhosa paz e graça, sobre todos os Seus filhos.