PERSEVERANÇA DOS SANTOS X APOSTASIA FINAL
Os calvinistas costumam dizer que aqueles que crêem na doutrina da Perseverança dos Santos vivem mais confortáveis que aqueles que crêem na possibilidade de Apostasia Final. Os que crêem que a salvação pode ser perdida devem viver em constante preocupação (alguns chegam ao ridículo de afirmar que devem viver completamente desesperados). Tentarei mostrar que tudo isso não é verdade, e que a doutrina da Perseverança dos Santos não traz esse conforto todo que apregoam por aí.
Basicamente, a doutrina da Perseverança dos Santos diz que todos os eleitos irão perseverar na fé até o fim. Mas o que muitos calvinistas ignoram é que aqueles que crêem que a salvação pode ser perdida dizem a mesma coisa: todos os eleitos irão perseverar na fé até o fim! Não vejo como uma doutrina, até então, pode ser considerada melhor que a outra.
Dizem, ainda, que o arminiano não pode ter certeza de que irá finalmente salvar-se. Isto é verdade. Mas o lado bom é que os arminianos estão cientes disso. Já os calvinistas deveriam ter uma "preocupação" semelhante e o lado ruim é que eles não estão cientes disso.
Os calvinistas afirmam que é possível alguém ter certeza de sua salvação sem nem ao menos estar salvo. Muitos podem estar enganados, pensando que estão salvos, quando na verdade não estão. Afirmam também que, se alguém abandona a comunhão dos crentes, é porque nunca foi salvo, por mais que pareceu ser um deles. A prova de que alguém é verdadeiramente salvo é sua permanência na fé até o fim.
Se alguém observar atentamente estas afirmações concluirá que só há verdadeiro conforto, segurança e garantia para aquele que permanecer na fé até o fim. Antes disso, alguém pode estar completamente enganado quanto à sua salvação. Mas de que adianta conforto, segurança e garantia para aquele que já permaneceu na fé até o fim? Seria um conforto um tanto atrasado e desnecessário.
Enquanto a dúvida dos arminianos é saber se permanecerá salvo ou não, a dúvida dos calvinistas é saber se alguém é eleito ou não. Agostinho, por exemplo, dizia que é impossível saber se somos eleitos. Dizem que Lutero pensava da mesma forma, e morreu sem saber se seria salvo.
A conclusão é que as duas doutrinas dão praticamente na mesma. Há segurança para o eleito, mas se por um lado não podemos saber se somos eleitos, por outro não podemos saber se permaneceremos na fé. Ambos, calvinistas e arminianos, deveriam viver "preocupados". Estou dizendo "preocupado" por causa da acusação, e não porque eu acredito que crentes devem viver preocupados. Nem acho que combina crente com temor de perder a salvação.
Portanto, antes que numa doutrina da Perseverança dos Santos, devemos apoiar nossa salvação no testemunho infalível do Espírito Santo. O máximo que os homens podem dar é uma falsa segurança de salvação futura.



