Robert W. Burtner e Robert E. Chiles - Coletânea da Teologia de João Wesley - 3. Culpa e Depravação do Pecado Original

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3 - Culpa e Depravação do Pecado Original

 

“Disse à mulher: multiplicarei grandemente a tua dor na tua concepção; em dor e em sofrimento darás à luz filhos;” sim mais do que todas as outras criaturas debaixo do céu, sobre cuja posteridade caiu a maldição original. “E o teu desejo será para o teu marido e ele dominará sobre ti.” Parece que a última parte desta sentença é uma explicação da primeira. Havia até agora qualquer outra inferioridade da mulher para com o homem além daquela que podemos conceber de um anjo para com outro? “E disse a Adão: porquanto deste ouvidos à voz da tua esposa e comeste da árvore da qual te ordenei que não comesses, maldita é a terra por tua causa. Espinhos e cardos produzir-te-á ela;” sim, produções inúteis e que ferem, visto que nada que ferisse ou produzisse dor tinha sido colocado a princípio na criação. “E tu comerás a erva do campo” – rústica e vil comparada aos deliciosos frutos do paraíso! “Com suor comerás pão até que te tornes ao pó, pois és pó e ao pó voltarás.”

 

Sermões: “Sobre a queda do homem,” I, 4 (J, VI, 218-19).

 

Que poderemos responder quando Ele disser: “Paga-me o que me deves”? Somos totalmente insolventes; nada temos com que pagar; perdemos todos os nossos recursos. Portanto, se Ele tratar-nos segundo o rigor da sua lei, se Ele fizer o que pode com razão, Ele terá de mandar amarrar-nos de “pés e mãos e entregar-nos aos atormentadores.”

 

Na verdade já estamos de pés e mãos amarrados pelas cadeias de nossos próprios pecados. Estes são, considerados com referência a nós mesmos, cadeias de ferro e algemas de bronze. São feridas que o mundo, a carne e o diabo abriram em todos nós. São doenças que bebem o nosso sangue e o nosso espírito e que nos levam à sepultura. Mas considerados com referência a Deus, são dívidas imensas e inumeráveis. Mas visto que não temos com que pagar, podemos clamar a Ele para que gratuitamente nos perdoe!

 

Sermões: “Sobre o sermão do monte: VI,” III, 13 (S, I, 441-42).

 

O homem desobedeceu a Deus. “Comeu do fruto da árvore da qual Deus havia ordenado dizendo: dela não comerás.” Naquele dia ele foi condenado pelo justo julgamento de Deus. A sentença a respeito da qual ele tinha sido avisado antes começou, também, a realizar-se na sua vida. Pois ele morreu no momento em que provou aquele fruto. A sua alma morreu, foi separada de Deus; separada daquele de quem a alma não tem mais vida do que o corpo quando separado da alma. Do mesmo modo o seu corpo tornou-se corruptível e mortal, de maneira que a morte dominou também a este. E já sendo morto no espírito, morto para Deus, morto no pecado, apressou-se à morte eterna, à destruição do corpo e da alma no fogo que nunca se apaga.

 

Sermões: “Justificação pela fé,” I, 5 (S, I, 117).

 

Nosso velho homem – coexistente com o nosso ser e tão velho quanto a queda, a nossa natureza má, uma forte e bela expressão para depravação e corrupção completas que, por natureza, se espalha sobre todo o homem não ficando parte alguma sem ser afetada.

 

Notas: “Rm 6.6.”

 

Os cristãos supõem que Adão foi criado santo e sábio como o seu criador, e contudo capaz de cair desse estado de graça; pensam ainda que ele caiu desse estado através de tentações as quais nós possivelmente não podemos julgar e que por isto ele fez cair sobre si mesmo e sobre toda a sua posteridade o sofrimento, o trabalho e a tristeza, assim como a morte, não só temporal, mas  espiritual e, sem a graça de Deus, eterna. Precisamos confessar que não somente alguns teólogos, mas todo o corpo da cristandade em todos os tempos pensaram desse modo até que, depois de mil e setecentos anos, levantou-se um orador extraordinário, não somente mais iluminado do que o Adão tolo, mais do que qualquer sábio da sua posteridade e declarou que toda aquela suposição era tola, insensata, inconsistente e blasfema!

 

Obras: “A doutrina do pecado original,” II (IX, 291).

 

Deves saber que és um pecador e que tipo de pecador és. Conheces a corrupção da tua natureza íntima pela qual te afastaste tanto da retidão original, pela qual “a carne sempre cobiça contra o espírito,” através da “mente carnal” que “é inimizade contra Deus,” que “não está sujeita à lei de Deus nem pode realmente estar.” Sabes que estás corrompido em todas as tuas forças e em todas as faculdades de tua alma, e todos os teus alicerces estão fora do alinhamento. Os olhos do teu entendimento estão obscurecidos, de modo que não podem discernir a Deus ou as coisas de Deus. As nuvens da ignorância e do erro descansam sobre ti e te cobrem com a sombra da morte. Nada sabes daquilo que devias conhecer – Deus, o mundo, a ti mesmo. A tua vontade não é mais a vontade de Deus, mas é totalmente perversa e transviada de todo o bem, de tudo aquilo que Deus ama e se inclina a todo mal, a toda abominação que Deus odeia. As tuas afeições foram alienadas de Deus e se espalharam por sobre toda a terra. Todas as tuas paixões – os teus desejos e as tuas aversões, tuas alegrias e tristezas, as tuas esperanças e temores estão transviados, sem equilíbrio ou postos sobre objetos impróprios. De modo que não há saúde na tua alma; mas usando-se a expressão forte do profeta, “do alto da cabeça à sola do pé só há contusões e feridas em putrefação.”

 

Sermões: “O caminho do reino,” II, 1 (S, I, 155-6).

 

Conhece-te a ti mesmo pela graça de Deus. Sabe e sente que foste formado em iniqüidade e que em pecado a tua mãe concebeu e que tu mesmo tens estado amontoando pecado sobre pecado desde que podias distinguir o bem do mal. Reconhece-te culpado de morte eterna e renuncia a toda esperança de seres capaz de salvar-te. Seja toda a tua esperança o seres lavado em seu sangue e purificado pelo seu espírito que “levou sobre si todos os teus pecados sobre o seu corpo no madeiro.” E se soubesses que Ele tirou os teus pecados, então te humilharias diante dele sentindo continuamente a tua dependência dele para todo bom pensamento, palavra e obra e a tua total inabilidade para todo bem a menos que Ele “te regue a todo momento.”

 

Sermões: “Sobre o sermão do monte: XIII,” III, 6 (S, II, 34).

 

A culpa do homem está agora perante a sua face. Ele sabe o castigo que merece, fosse apenas pela sua mente carnal, e a inteira e universal corrupção da sua natureza, quanto mais pelos seus maus desejos e pensamentos, por todas as suas palavras e ações pecadoras! Ele não pode duvidar por um momento que o menor destes merece a condenação do inferno, do verme que não morre e do fogo que nunca se apaga. Sobretudo, pesa sobre ele a culpa de “não ter crido no nome do unigênito Filho de Deus.” Como diz ele, escaparei, pois “negligencio tão grande salvação!” “Aquele que não crê, já está condenado” e a “ira de Deus pesa sobre ele.”

 

Sermões: “Sobre o sermão do monte: I,” I, 5 (S, I, 324).

 

Vinde a mim... somente eu (pois nenhum outro pode) dar-vos-ei gratuitamente (o que não podeis comprar) descanso da culpa do pecado pela justificação, e do poder do pecado pela santificação.

 

Notas: “Mt 11.28.”

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