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Steve Witzki - O Significado de Vida Eterna e quem a Possui

O Significado de Vida Eterna e quem a Possui
 
Steve Witzki
 
Muitas pessoas têm também mal compreendido o significado de “vida eterna” conforme usado nas Escrituras porque deram ouvidos aos professores do “uma vez salvo, sempre salvo.” Os proponentes desta doutrina freqüentemente argumentam que a “vida eterna” não pode ser perdida, ou melhor ainda, ser tomada de volta, ou do contrário a “vida eterna” não seria “eterna.” Este é um argumento filosófico que não está baseado no entendimento escriturístico de como uma pessoa participa da vida eterna.
 
Vida eterna é a vida que provém do eterno Deus. Visto que Deus é e sempre será eterno (Sl 90.2), “tem, ele só, a imortalidade” (1Tm 6.16), e “vida em si mesmo” (Jo 5.26) e “deu também ao Filho ter a vida em si mesmo” (Jo 5.26). A vida eterna é eterna se uma pessoa confia ou não no eterno Deus. Visto que Deus é a fonte da vida eterna, segue que alguém tem a posse dela somente através de uma relação de fé com o eterno Deus e seu eterno Filho, Jesus Cristo.
 
Jesus disse em Jo 5.24, “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele [Deus Pai] que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.” Sobre este verso o estudioso do Novo Testamento Henry Alford escreve: “tem a vida eterna: também 1Jo 5.12-13. O crer [pisteuo] e o ter [echo] a vida eterna são correspondentes: – onde a fé está, a posse da vida eterna está: – e quando uma é abandonada, a outra é perdida” (The New Testament for English Readers, p. 508, ênfase dele).
 
Notem que ambos os verbos, crer e ter, estão no tempo presente. Neste verso particular, a pessoa que permanece confiando em Deus Pai, que enviou seu Filho, continua a possuir a vida eterna. Entretanto, mais freqüentemente as Escrituras revelam que alguém possui a vida eterna por meio da fé no Filho de Deus, Jesus Cristo. O apóstolo João concisamente resumiu esta verdade com estas palavras: “Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1Jo 5.12).
 
Dessa forma, quando Charles Ryrie define segurança eterna como: “A obra de Deus que garante que o dom de Deus (salvação), uma vez recebido é possuído para sempre e não pode ser perdido” (So Great Salvation, p. 155-156, ênfase minha), ele está biblicamente equivocado. Ryrie, como muitos defensores do “uma vez salvo, sempre salvo,” acredita que um ato de fé resulta na posse da salvação para sempre. Entretanto, as Escrituras revelam uma realidade decididamente diferente. No Novo Testamento a palavra grega echo é traduzida como “possuir” em contextos que envolvem relações pessoais. Por exemplo, em Jo 5.39-40 lemos:
 
“Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter (echo) nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam; e não quereis vir a mim para terdes (echo) vida.”
 
Ao falar com estes judeus, Jesus deixou claro que, visto que eles obstinadamente se recusam a vir a ele em fé, eles não possuem vida eterna, considerando que ele é a fonte da vida eterna. Infelizmente, a NVI não permanece consistente ao traduzir echo como possuir no verso 40 como fez no verso 39 quando o contexto permite que a mesma palavra seja usada. Deve ser notado que em todo claro exemplo onde as Escrituras afirmam quem possui a vida eterna é sempre condicionado a uma contínua confiança em Cristo. Tambem deve ser notado que em cada um destes contextos echo está no tempo presente. Por essa razão, aqueles que possuem e continuam a possuir a vida eterna são apenas aqueles que confiam e continuam a confiar em Jesus Cristo. Também pode ser visto que possuir vida espiritualmente do Filho e do Pai está condicionado a uma fé que continua a permanecer nos ensinos de Cristo e/ou seus discípulos. Isto envolve não negar que Jesus é o Cristo, e não odiar seus “irmãos” ou “irmãs,” [veja referências em 1Jo e 2Jo abaixo.]
 
Leia cuidadosamente os versos seguintes onde possuir ou possui (echo) aparece. Tenho consistentemente traduzido cada ocorrência nestes contextos particulares como “possuir” ou “possui” e coloquei-os em negrito. Também dediquei tempo para colocar em itálico os verbos importantes no tempo presente que aparecem no texto que fazem referência a uma ação linear ou contínua.
 
“E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.14-16).
 
“Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém, desobedece ao Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo 3.36).
 
“Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas já passou da morte para a vida. Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão. Pois assim como o Pai tem vida em si mesmo, assim também deu ao Filho ter vida em si mesmos; e deu-lhe autoridade para julgar, porque é o Filho do homem. Não vos admireis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida, e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo” (Jo 5.24-29).
 
“Declarou-lhes Jesus. Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim [em fé], de modo algum terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede. Mas como já vos disse, vós me tendes visto, e contudo não credes. Todo o que o Pai me dá virá a mim [em fé]; e o que vem a mim [em fé] de maneira nenhuma o lançarei fora. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E a vontade do que me enviou é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia. Porquanto esta é a vontade de meu Pai: Que todo aquele que o Filho e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.35-40).
 
“Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que crê tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne. Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como pode este dar-nos a sua carne a comer? Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.... Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu; não é como o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre..... Por causa disso muitos dos seus discípulos voltaram para trás e não andaram mais com ele. Perguntou então Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós já temos crido e bem sabemos que tu és o Santo de Deus” (Jo 6.47-69).
 
“Então Jesus tornou a falar-lhes, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8.12).
 
“Eu sou a porta; se alguém entrar a casa; o filho fica entrará e sairá, e achará pastagens. O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10.9-10).
 
“Jesus, na verdade, operou na presença de seus discípulos ainda muitos outros sinais que não estão escritos neste livro; estes, porém, estão escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.30-31).
 
“Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse mesmo é o anticristo, esse que nega o Pai e o Filho. Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai; aquele que confessa o Filho, tem também o Pai. Portanto, o que desde o princípio ouvistes, permaneça em vós. Se em vós permanecer o que desde o princípio ouvistes, também vós permanecereis no Filho e no Pai. E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna” (1Jo 2.22-25).
 
“Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama permanece na morte. Todo o que odeia a seu irmão é homicida; e vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele” (1Jo 3.14-15).
 
“Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê, mentiroso o faz, porque não crê no testemunho que Deus de seu Filho dá. E o testemunho é este: Que Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. Estas coisas vos escrevo, a vós que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna” (1Jo 5.10-13).
 
“Todo aquele que vai além do ensino de Cristo e não permanece nele, não tem a Deus; quem permanece neste ensino, esse tem tanto ao Pai como ao Filho” (2Jo 1.9).
 
Do testemunho bíblico acima, ninguém chega na definição de segurança eterna que Ryrie dá. Além disso, devemos rejeitar as seguintes declarações que Charles Stanley faz em seu livro, Eternal Security: Can You Be Sure: “Deus não requer uma atitude constante de fé a fim de sermos salvos [para sempre] – somente um ato de fé” (p. 80, ênfase dele). “Mesmo se um crente, para todos os propósitos práticos, torna-se descrente, sua salvação não está em risco” (p. 93, ênfase minha). Estas declarações são absurdas à luz da evidência bíblica. Infelizmente, muitas pessoas têm chegado a estas mesmas conclusões anti-bíblicas porque elas têm permitido que os professores do “uma vez salvo, sempre salvo” pensem por elas. É hora das pessoas estudarem a Bíblia por si mesmas, com a ajuda do Espírito Santo, e deixar cair as lentes teológicas do “uma vez salvo, sempre salvo” que as impedem de entender a vontade de Deus e caminhar nela. A vida está somente no Filho. Continue confiando no Filho, e você continuará a possuir a vida eterna, tanto agora quanto mais plenamente no porvir.
 
Tradução: Paulo Cesar Antunes

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Perguntas Respondidas

 A pergunta surge naturalmente: se Cristo morreu por todos, por que todos não são salvos? A resposta está no simples fato de que cada um deve crer que Cristo morreu por ele antes de poder participar dos benefícios de sua morte. Em João 8.24 Jesus disse: “Porque se não crerdes que eu sou, morrereis nos vossos pecados.” Lewis Sperry Chafer declara: “A condição indicada por Cristo, sobre a qual eles (os incrédulos) podem evitar morrer nos seus pecados, não se baseia no fato de ele não morrer a seu favor, mas sim em colocarem nele a sua fé... o valor da morte de Cristo, por mais maravilhosa e completa que seja, não se aplica aos não regenerados até que venham a crer.” [Lewis Sperry Chafer, Systematic Theology (Teologia Sistemática), Dallas, TX: Dallas Seminary Press, 1947, v. III, p. 97] Esta questão de necessidade é uma aplicação pessoal, pela fé, da graça salvadora de Jesus Cristo, como ilustrado pelos detalhes da noite da páscoa. A família israelita deveria matar um cordeiro e aspergir o sangue sobre as ombreiras e a verga das portas de suas casas e os moradores deveriam então permanecer nelas. Deus disse: “O sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes: quando eu vir o sangue, passarei por vós, e não haverá entre vós praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito” (Êx 12.13). Deus não olharia no quintal onde o cordeiro fora morto, mas nas portas de cada casa. Quando visse ali o sangue, o anjo da morte não pararia. Deve haver uma aplicação pessoal, pela fé, do sangue precioso que foi derramado por nós no Calvário.

William Evans resume o assunto admiravelmente quando diz:

“A expiação é suficiente para todos; ela é eficiente para aqueles que creem em Cristo. A expiação propriamente dita, à medida que coloca a base para o trato redentor de Deus com os homens, é ilimitada; a aplicação da expiação é limitada àqueles que creem verdadeiramente em Cristo. Ele é o salvador em potencial de todos os homens; mas efetivamente só dos crentes. ‘Ora, é para esse fim que labutamos e nos esforçamos sobremodo, porquanto temos posto a nossa esperança no Deus vivo, salvador de todos os homens, especialmente dos fieis’ (1Tm 4.10).”

Fonte: Guy P. Duffield & Nathaniel M. Van Cleave, Fundamentos da Teologia Pentecostal, Vol. 1, pp. 258-260

 

Uma doutrina arminiana crucial é a graça preveniente, na qual os calvinistas também acreditam, mas os arminianos a interpretam diferentemente. A graça preveniente é simplesmente aquela graça de Deus que convence, chama, ilumina e capacita, e que precede a conversão e torna o arrependimento e a fé possíveis. Os calvinistas a interpretam como irresistível e eficaz; a pessoa em quem ela opera irá crer e arrepender-se para salvação. Os arminianos a interpretam como resistível; as pessoas são sempre capazes de resistir à graça de Deus, como a Escritura chama a atenção (At 7.51). Mas sem a graça preveniente, elas inevitavelmente e inexoravelmente resistirão à vontade de Deus por causa de sua escravidão ao pecado.

Quando falamos de “graça preveniente” estamos pensando na que “precede”, que prepara a alma para a sua entrada no estado inicial da salvação. É a graça preparatória do Espírito Santo exercida para o homem enfraquecido pelo pecado. Pelo que se refere aos impotentes, é tida como força capacitadora. É aquela manifestação da influência divina que precede a vida de regeneração completa.

Em um sentido, então, os arminianos, como os calvinistas, creem que a regeneração precede a conversão; o arrependimento e a fé são somente possíveis porque a velha natureza está sendo dominada pelo Espírito de Deus. A pessoa que recebe a total intensidade da graça preveniente (isto é, através da proclamação da Palavra e a chamada interna correspondente de Deus) não mais está morta em delitos e pecados. Entretanto, tal pessoa não está ainda completamente regenerada. A ponte entre a regeneração parcial pela graça preveniente e a completa regeneração pelo Espírito Santo é a conversão, que inclui arrependimento e fé. Estes se tornam possíveis por dádiva de Deus, mas são livres respostas da parte do indivíduo. “O Espírito opera com o concurso humano e por meio dele. Nesta cooperação, contudo, dá-se sempre à graça divina preeminência especial.”

A ênfase sobre a antecedência e preeminência da graça forma o denominador comum entre o Arminianismo e o Calvinismo. É o que torna o sinergismo arminiano “evangélico.” Os arminianos levam extremamente a sério a ênfase neotestamentária na salvação como um dom da graça que não pode ser merecido (Ef 2.8). Entretanto, as teologias arminianas e calvinistas – como todos os sinergismos e monergismos – divergem sobre o papel que os humanos desempenham na salvação. Como Wiley observa, a graça preveniente não interfere na liberdade da vontade. Ela não dobra a vontade ou torna certa a resposta da vontade. Ela somente capacita a vontade a fazer a escolha livre para cooperar ou resistir à graça. Essa cooperação não contribui para a salvação, como se Deus fizesse uma parte e os humanos fizessem outra parte. Antes, a cooperação com a graça na teologia arminiana é simplesmente não-resistência à graça. É meramente decidir permitir a graça fazer sua obra renunciando a todas as tentativas de auto-justificação e auto-purificação e admitindo que somente Cristo pode salvar. Todavia, Deus não toma esta decisão pelo indivíduo; é uma decisão que os indivíduos, sob a pressão da graça preveniente, devem tormar por si mesmos.

Fonte: Roger E. Olson, Arminian Theology: Myths and Realities, p. 35-36

É verdade que o pastor começa 1Tm 2.1 solicitando que orações sejam feitas por todos os homens, e então especifica reis e governantes. O “todos” do verso 1 claramente não pode ser restringido tomando o verso 2 com o significado de “a saber, reis e governantes.”
 
Há mais a ser dito para a opinião de que ele queira dizer “todas as classes de pessoas, incluindo (por exemplo) reis e governantes (que vocês devem ter negligenciado).” Mas isto leva a um problema. O propósito da oração pelos governantes no verso 2 é “para que tenhamos uma vida quieta e sossegada.” Não é uma oração pela sua salvação (embora isso não seja necessariamente excluído), mas antes é uma oração para que governantes não-cristãos possam levar uma vida de tal forma que os cristãos não sejam molestados mas livres para viver uma vida devota. Mas então temos um problema com os versos 3-6, que oferecem um reforço muito estranho para um comando para orar para que cristãos possam levar uma vida sossegada.
 
É melhor assumir que o pastor começou a escrever no verso 1 de oração pela salvação de todos os homens e então foi desviado para mencionar a necessidade particular para orar pelos governantes para que os cristãos possam ter paz para viver uma vida devota. Admitidamente é estranho que o propósito de fato expressado pela oração não é um desejo pela paz para proclamar o evangelho (à maneira de Rm 15.31-32; 2Ts 3.2) mas pela paz para viver vidas devotas. Parece que o pastor está dizendo que orações de todos os tipos sejam feitas por todas as pessoas. Ele menciona incidentalmente a necessidade de incluir orações pelos governantes para que os cristãos possam viver em paz, mas seu principal pensamento é que orações sejam oferecidas pela salvação de todas as pessoas. O pensamento no verso 1 é assim reassumido no verso 3, e o verso 2 é parentético. Se assim, não há nenhuma razão para supor que “todos os homens” significa qualquer outra coisa que “todas as pessoas no mundo.”
 
Mas poderia a expressão no verso 1 ainda simplesmente significar “todas as classes de pessoas,” tais como reis, governantes, e outras categorias? Obviamente, se a referência é literalmente a “todos os homens,” então “todas as classes de homens” estão implicitamente incluídas e pretendidas. Mas se a referência é a “todas as classes de pessoas” – para quem a oração deve ser feita e quem Deus deseja que seja salvo – então o pastor está declarando que, visto que o propósito salvífico de Deus inclui pessoas de todas as classes, devemos orar por todas as classes.      Mas como isto ajuda o defensor da doutrina da expiação limitada? Ele então tem que dizer que oração deve ser oferecida pelos “grupos eleitos dentro de todos os grupos na sociedade” – por exemplo, pelos reis eleitos dentro do grupo dos reis. Ele pelo menos sabe que haverá pessoas eleitas em todo grupo social, mas ele terá que projetar sua oração “para aqueles números (limitados) de pessoas dentro de todo e cada grupo que Deus pretende salvar.” Não há, obviamente, nenhuma razão para orar pela salvação dos não-eleitos, que não irão ser salvos; embora alguém possa orar para que eles não molestem os cristãos (v. 2). E há a dificuldade que alguém não sabe se indivíduos específicos pertençam aos eleitos ou não. Presumivelmente alguém simplesmente ora para que a vontade de Deus de salvar aqueles que são eleitos em todo e qualquer grupo social seja cumprida. Mas isto não é de fato o que o pastor diz aos seus leitores fazerem; ele ordena oração por “todas as classes de pessoas” (nesta interpretação), não para que oremos que a vontade de Deus relativa aos seus eleitos, que serão achados entre todas as classes de pessoas, seja cumprida. Dessa forma a interpretação da expiação limitada tem que recorrer ao que parece torcer o texto, e não há em qualquer caso nada no texto que sugira esta interpretação antes que a interpretação literal.
 
I. Howard Marshall, The Grace of God the Will of Man, 61-63

Ez 18.23 - Tenho eu algum prazer na morte do ímpio? diz o Senhor Deus. Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva?

Jn 4.11 - E não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive em que há mais de cento e vinte mil pessoas que não sabem discernir entre a sua mão direita e a esquerda, e também muito gado?

Mt 23.37 - Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, apedrejas os que a ti são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e não o quiseste!

Mr 16.15 - E disse-lhes: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura.

Jo 3.17 - Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.

Jo 12.47 - E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo.

At 17.30 - Mas Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens em todo lugar se arrependam.

Rm 5.18 - Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.

2Co 5.19 - Pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação.

1Tm 2.4 - [Deus] Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.

1Tm 4.10 - Porque para isto trabalhamos e lutamos, pois esperamos no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis.

Tt 2.11 - Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens.

1Jo 4.14 - E vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo.

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