Interpretando a Nossa Época
Lucas 12:54-59
Rev. Sila D. Rabello
Fazer uma leitura acertada dos diversos contextos que nos cercam não é tarefa simples. Os contextos emitem sinais indicativos que nem sempre são decodificados corretamente. Exemplos:
“Uma das firmas pioneiras na produção de computadores veio a falir por ter ultrapassado suas próprias limitações. Um dos representantes da companhia disse mais tarde: Ele, o inventor e presidente, queria ser o maior, mas não fez questão de ser o melhor. Não se preocupou quando alguns empregados se demitiram, porque pensou que iria encontrar outros tão bons como aqueles...”
“Na primavera de 1812 mais de 600 mil homens saíram em marcha, liderados por Napoleão, com destino à Rússia, para depor o Czar Alexandre I. Muito antes do início dos combates, alguns soldados cambaleavam para fora das fileiras e desabavam na lateral da estrada.
“Napoleão não está preocupado com alguns soldados que desabam na beira da estrada”, disse em carta à mulher, o comandante de batalhão Friedrich Wilhelm Von Lossberg. Ninguém se importou muito, pois foram tidos como bêbados. Napoleão chegou à Rússia, mas seu exército não lutou. Até hoje se crê que foi o inverno russo que derrotou Napoleão. Somente agora, 200 anos depois, foi esclarecido que as baixas da grande marcha não eram de alcoólatras. O que impediu 400 mil homens de voltarem para casa foi um inimigo minúsculo, o piolho. Este parasita espalhou o tifo que dizimou o exército.”
Voltando ao texto bíblico, a secção que lemos do discurso de Jesus é endereçada às multidões e não apenas aos discípulos. O ensinamento é de ordem prática. Duas lições importantes se destacam:
1– SABER INTERPRETAR A SUA ÉPOCA – (V.54 A 56)
“Disse também às multidões: Quando vedes aparecer uma nuvem no poente, logo dizeis que vem chuva, e assim acontece; e, quando vedes soprar o vento sul, dizeis que haverá calor, e assim acontece. Hipócritas, sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu e, entretanto, não sabeis discernir esta época?”
Desde a antiguidade e, sobretudo numa sociedade agrária, o homem aprendeu a interpretar os indicadores atmosféricos. Hoje, a televisão nos dá as previsões metereológicas. Jesus nota que as pessoas são especialistas nas observações dos aspectos do tempo: “Quando vedes aparecer uma nuvem no poente, logo dizeis que vem chuva...” O poente estava na direção do Mar Mediterrâneo, de onde provinha grande evaporação resultando nuvens e chuvas. “...E, quando vedes soprar o vento sul, dizeis que haverá calor, e assim acontece...” O vento sul era originário do deserto do Neguebe, fazendo os termômetros subirem. Eles acertavam nestas previsões e sabiam se situar nos pontos cardeais, no entanto, Jesus os chama de hipócritas; pessoas que fingiam serem sábias, pessoas dissimuladas e que laboravam no engano. Veja a conclusão de Jesus a respeito destas pessoas: “sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu e, entretanto, não sabeis discernir esta época?” (v.56) Discernir é julgar com clareza, é saber analisar e explicar o seu tempo e os fatos que nele ocorrem. As pessoas nos dias de Jesus não conseguiam enxergar a importância histórica daqueles dias:
– A encarnação ou advento de Jesus ao mundo
– A chegada do reino de Deus à terra
– A aniquilação na nação de Israel que se aproximava com a destruição de Jerusalém.
Estas coisas estavam encobertas aos olhos deles, ou melhor, os sinais estavam presentes, mas não eram decodificados.
E nós, estamos discernindo os sinais do nosso tempo? Ou somos uma sociedade hipócrita que finge ser sábia, cuja ciência é apenas um verniz, cuja eficácia é cosmética. Os sinais estão escancarados diante de nós:
a) OS SINAIS DO COMPORTAMENTO SOCIAL NA MÍDIA TELEVISIVA – O que estamos vendo em todos os canais de TV? Violência, terrorismo, estupros, pedofilia, perversões, assaltos, corrupção, guerras, crimes, divórcios, delinqüência juvenil, desamparo senil, etc... Examinemos o canal líder de audiência no Brasil:
A Rede Globo vem introduzindo, silenciosamente, uma cultura de libertinagem, traição, adultério e rompimento com a célula familiar de forma sutil.
Com o advento do BBB 10 a Globo conseguiu o que ela vinha planejando, que era testar a capacidade de tolerância da sociedade com o beijo gay ao vivo. Em duas cenas do BBB 10 aconteceram dois beijos gay. A produção do programa teve o cuidado de colocar sobre uma estante a foto do beijo. Qual o motivo? Frisar um comportamento?
No mesmo BBB 10 uma das participantes declarou-se lésbica e com essa declaração todas as demais mulheres do programa se aproximaram dela sendo protagonizado o selinho lésbico no programa e todos os demais a apoiaram sob o manto sagrado do não preconceito.
Na novela Viver a Vida o tema principal mostrado de forma engraçada e aceitável é a da traição e do adultério.
A Globo leva ao telespectador ao absurdo de torcer para que um irmão traia o outro ficando com sua namorada.
A traição nessa novela é a mola mestra do enredo, todos os personagens se traem, e isso é mostrado de forma comum, simples, corriqueira.
Mas talvez, a investida mais evidente e absurda está na novela das seis, Cama de Gato: A Globo superou todos os limites nessa novela ao colocar como tema uma música do grupo Titãs.
A letra da música é um convite descarado às forças destruidoras para que entrem em nossa casa (coração) e destruam tudo, tirem tudo do lugar. Observem a letra da música:
Vamos deixar que entrem, que invadam o seu lar.
Pedir que quebrem, que acabem com seu bem-estar.
Vamos pedir que quebrem o que eu construi pra mim,
Que joguem lixo, que destruam o meu jardim.
Refrão:
Eu quero o mesmo inferno, a mesma cela de prisão – a falta de futuro.
Eu quero a mesma humilhação – a falta de futuro – o mesmo desespero
Vamos deixar que entrem, que invadam o meu quintal
Que sujem a casa e rasguem as roupas no varal,
Vamos pedir que quebrem sua sala de jantar,
Que quebrem os móveis e queimem tudo o que restar.
Vamos deixar que entrem como uma interrogação
Até os inocentes aqui já não tem perdão.
Vamos pedir que quebrem, destruir qualquer certeza,
Até o que é mesmo belo aqui já não tem beleza.
Vamos deixar que entrem e fiquem com o que você tem,
Até o que é de todos já não é de ninguém.
Pedir que quebrem, mendigar pelas esquinas
Até o que é novo já esta em ruínas.
Vamos deixar que entrem, nada é como você pensa,
Pedir que sentem aos que entraram sem licença,
Pedir que quebrem, que derrubem o meu muro,
Atrás de tantas cercas quem é que pode estar seguro?
Imaginem tudo isso entrando em sua casa, sendo cantado, verbalizado, o resultado é Maldição!
Imaginem nossas crianças cantando isso? Trazendo isso pra dentro do coração e da alma? Imaginem vocês, filhos de Deus, cantando isso? Tente imaginar de onde o compositor dessa infâmia tirou inspiração para compôr tamanha afronta?
A palavra de Deus é clara quando diz: “Não porás coisa abominável em tua casa, para que não sejas amaldiçoado...” (Deuteronômio 7:26) Você é responsável por selecionar os programas, filmes, músicas, e tudo que chega à sua casa e à sua vida. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça, diz o Senhor Jesus. (Mt 11:15)
b) OS SINAIS DA POLÍTICA MUNDIAL – O presidente da maior economia mundial, Barack Obama, se recusou a celebrar o “Dia Nacional de Oração” na Casa Branca, mas hospedou uma grande festa para lançar o mês do “Orgulho Gay e Lésbico” em junho de 2009 e reconheceu o mês islâmico sagrado de Ramadã, na Casa Branca.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recepcionou em território nacional o presidente Mahmoud Ahmadinejad, representante de um regime autoritário, que nega os direitos humanos, protege o terrorismo e expõe uma falsa democracia, que nega um fato histórico, o holocausto, e que se prepara para a produção da bomba atômica; fato que desencadeará um grande conflito no oriente médio. Lula e os próceres da política externa vivem cortejando o Irã e beijando a mão de líderes populistas cujas mãos estão manchadas de sangue inocente. Isto não é bom para o Brasil.
A Rússia mergulhada na corrupção e travada no desempenho de suas grandes estatais começa a ver a necessidade de sacudir o Capitalismo de Estado instaurado por Vladimir Putin. A crise financeira logo a forçará a abrir caminho rumo às riquezas do Oriente médio.
A Europa fragilizada por crises financeiras, crescimento do terrorismo, vê a diminuição de sua população, enquanto cresce a população muçulmana, além de suas posições liberalizantes em assuntos que se chocam com as leis de Deus. Estes sinais não podem ser ignorados quando se pretende traçar a trajetória política do mundo pós-moderno. Outro sinal evidente é:
c) A DESCONSTRUÇÃO DA DIVINDADE DE JESUS – Porque este sinal é importante? Por que há dois mil anos, o mundo da época foi preparado para um grande acontecimento: a revelação de Jesus na história! Apresentado como divino, sendo Ele o próprio Deus que se humanizou. Desde então, a pregação da Igreja visa confirmar e demonstrar a divindade de Jesus. Desconstruir esta base significa derrubar a fé cristã. Desde o primeiro século da era cristã, somam-se esforços para corroer esta verdade. Os exemplos são os mais diversificados, como estes:
O Jornal “O Estado de São Paulo”, caderno A-20, publicou em 20.02.2010: “Elton John afirma: Jesus era um gay superinteligente.” Esta declaração do cantor inglês foi publicada na revista “Parade”. Ele disse que Jesus foi um gay compassivo, superinteligente, que entendia os problemas humanos.
Na Índia, um livro didático destinado a estudantes do ensino fundamental, retratou Jesus fumando e segurando uma lata de cerveja. A editora irresponsável, Skyline Publications, até agora não se manifestou sobre a blasfêmia.
Críticos tentam achar algum defeito em Jesus. Dan Brown em seu livro “O Código da Vinci” lançou dúvida sobre a integridade do Mestre nos milhares de leitores desavisados. O diabo sabe que, se lançar dúvidas sobre a integridade de Jesus, o arcabouço da fé cristã pode balançar. Mas, a Bíblia declara: “Jesus não teve defeito! Ele em nada pecou!”
Jesus é o divisor da experiência religiosa. Reconhecê-lo como Deus é a chave para a compreensão da revelação de Deus à humanidade.
d) O SINAL DO “PRINCÍPIO DE DORES” – Eu disse: “Princípio de dores”, não estou sendo apocalíptico, pois segundo o Apocalipse, a desordem mundial será muito mais intensa. Neste momento, nos encaminhamos para tal quadro.
Os sinais começam a ser discernidos por cosmólogos, astrofísicos e estudiosos das ocorrências temporais. A natureza está em convulsão: terremotos, tsunamis, ciclones, tempestades, nevascas, degelo das calotas polares, aquecimento global, queda de meteoritos, incêndios florestais e outros males decorrentes das forças da natureza.
Estamos discernindo esta época? Estamos percebendo nela, juízos divinos, avisos, ou apenas causas naturais?
Os ambientalistas reconhecem a culpa humana, a intervenção do homem na natureza e lutam para que salvemos o planeta. Pena que só enxergam as ocorrências naturais. A agressão no mundo não se dá apenas no espaço físico. Agride-se o autor do projeto, o criador dos sistemas, o mantenedor da harmonia cósmica. Toda a transgressão ambiental ou moral leva a natureza a sentir dores. A salvação de todas as coisas começa com aquele que Deus enviou ao planeta com um nome pré-escolhido: “Ele se chamará Jesus...” (Mateus 1:21) Por quê? Por que seu nome significa salvador.
Quantos fatos estão ocorrendo numa velocidade atordoante. Os cristãos precisam hoje, não de fanáticos emocionais, mas de gente de oração, meditação e estudo, gente que possa definir as tendências, ou seja, mostrar a inclinação, a propensão, a direção para onde vão os acontecimentos sob uma análise conjuntural. Gente que tenha capacidade prospectiva, capacidade de ver adiante, ao longe, interpretando os sinais do presente. O presente é uma construção prenhe do futuro.
Precisamos de novos filhos de Issacar!
No livro bíblico das Crônicas, há um verso que passa quase despercebido, na grande estrutura administrativa do reino de Davi. O Texto noticia que cada tribo de Israel apresentou um contingente a serviço do rei: homens valentes e bem treinados, príncipes, guerreiros de renome, capitães, peritos em armamentos, etc. Quando se menciona a tribo de Issacar, diz que ofereceram 200 chefes “Conhecedores da época”, ou seja, eruditos, para saberem o que Israel devia fazer em quaisquer circunstâncias. (I Crônicas 12:32)
Os filhos de Issacar sabiam fazer a leitura do tempo que viviam, eram conhecedores da época, por isso, podiam propor alternativas, soluções e ações táticas.
As empresas pagam vultosas somas por consultorias. Recorrem a peritos que estudam as tendências e propõem caminhos. Estão certas, pois o alvo destas empresas é como ganhar mais dinheiro.
A Igreja é a única agência de Deus na terra para cuidar da alma humana e amenizar o sofrimento. Não pode perder o escopo da missão que é levar o homem a ganhar o céu e não apenas se aliviar das mazelas terrenas. Que Deus possa levantar dentre as fileiras cristãs, os melhores consultores com habilidade de discernir os tempos que estamos vivendo e que tenham resposta para a pergunta: – Guarda, a que horas estamos da noite?
A segunda lição do ensino de Jesus está nos versos 57 a 59:
2– Saber julgar e saber fazer escolhas – “E por que não julgais também por vós mesmos o que é justo?”
As pessoas são livres para fazerem escolhas e acabam escolhendo coisas que vão prejudicá-las no futuro. Precisamos do senso de retidão, de justiça, para agir com imparcialidade condenando ou absolvendo nossas ações morais, aprovando ou rejeitando coisas, sem sermos auto-indulgentes. Ser justo é reconhecer o seu direito e o do outro, é agir com critério, é aprender a valorar as coisas tendo como parâmetro a Lei de Deus.
CONCLUSÃO:
Jesus conclui o seu ensino com uma ilustração: “Quando fores com o teu adversário ao magistrado, esforça-te para te livrares desse adversário no caminho; para que não suceda que ele te arraste ao juiz, o juiz te entregue ao oficial e o oficial te recolha à prisão.”
Há um momento para se livrar de situações conflitantes e demandas judiciais. Devemos correr atrás de um acordo enquanto há tempo. Um acordo consensual é sempre melhor do que uma demanda litigiosa. Reconciliação já!
Espiritualmente aprendemos: Deus é o reto juiz. O ser humano que vive alienado de Deus não sabe discernir o tempo que tem sobre a terra. Chega o dia de ser levado ao tribunal e poderá ser condenado à perdição. Devemos nos reconciliar com Deus antes que seja tarde. Perante Ele, convém ajustar as contas sem demora, enquanto estamos no caminho da vida. Devemos nos livrar de toda a influência do acusador enquanto estamos transitando rumo à eternidade.
Vivamos de olhos abertos, captemos os sinais que estão à nossa volta, peçamos discernimento espiritual a Deus e façamos as melhores escolhas para as nossas vidas! Amém!
Publicada na Revista Kerygma de Boas Novas. Nº 17
Março/Abril de 2010
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