Oct
08
2007
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IV. JESUS CRISTO Posto que as Escrituras que tratam do caráter de Jesus Cristo não tenham a forma de um sistema regular, quando colecionadas, elas nos apresentam três classes particulares, cada uma das quais sustenta a sua proposição correspondente. I. A primeira classe sustenta a seguinte proposição, a saber, Jesus Cristo é real e verdadeiramente homem. Eis aqui algumas das passagens desta classe: “O Filho do homem,” oitenta vezes; “feito carne,” Jo 1.14; “nascido de mulher,” Gl 4.4; “semelhante aos homens,” Fl 2.7, 8; “criança nasceu” (Almeida), Is 9.6; 7.14; Mt 1.18-25; “crescia,” Lc 2.52; “varão de dores,” Is 53.3; Mt 26.38; “teve fome,” Mt 4.2; “fatigado,” Jo 4.6; “tentado,” Mt 4.2; “suor,” Lc 22.44; “chorou,” Jo 11.35; “ninguém sabe,” Mc 13.32; “indignado e condoído,” Mc 3.5; “morto,” Jo 19.33; “enterraram,” Jo 19.42. Finalmente, todas as passagens falam de seus sofrimentos e morte, ou indicam de qualquer modo a sua inferioridade, são todas elas provas de sua verdadeira humanidade. Elas não provam que ele fosse meramente homem, como alguns têm suposto, nem que ele fosse um anjo ou arcanjo, como querem outros; mas elas provam que ele foi realmente homem, possuidor como os demais homens, de um corpo e alma humanos. II. A segunda classe sustenta a seguinte proposição, a saber, Jesus Cristo é o próprio Deus sem princípio. As seguintes são algumas destas passagens: 1. As que falam dele como Deus. Jo 1.1; 20.28; At 20.28; Rm 9.5; Cl 1.9; Fl 2.6; 1Tm 3.16; Tt 2.10; Hb 1.8; 1Jo 5.20. 2. As que falam dos seus ATRIBUTOS. Sua eternidade: Is 9.6; Mq 5.2; Jo 1.1; 8.58; Cl 1.17; Hb 7.3; 13.8; Ap 1.8. Títulos divinos: “Alfa e Ômega”: Ap 1.8; 21.6; 22.13; “Emanuel”: Mt 1.23; “Primeiro e o Último”: Ap 1.17; “Pai Eterno”: Is 9.6; “Deus Poderoso”: Is 9.6; “Condutor”: Mt 2.6; “O Santo”: Lc 4.34; At 3.14; “O Justo”: At 7.52; “Rei eterno”: Lc 1.33; “Rei dos reis e Senhor dos senhores”: 1Tm 6.15; “Deus da Glória”: 1Co 2.8; “Autor da vida”: At 3.15; “Salvador”: Lc 2.11; “Filho do Altíssimo”: Lc 1.32; “Filho de Deus”: Mt 16.16; e muitas outras passagens. Onipresença: Mt 18.20; Jo 3.13. Onisciência: Mt 9.4; Mc 2.8; Jo 2.24; 6.64; 16.30; 21.17; At 1.24. Onipotência: Is 9.6; Mt 28.18; Jo 3.31; 10.18; Rm 9.5; Ef 1.21; Cl 1.16-18; 2.10; Hb 1.3; Ap 1.8. Sabedoria: Cl 2.3. Santidade: Mc 1.24. Justiça: At 22.14. Verdade: Jo 14.6. Bondade: At 10.38. 3. As que falam de seus atos. Criação: Jo 1.3, 10; Cl 1.16; 1Co 8.6; Hb 1.2. Inspiração: 1Pe 1.11; Jo 14.26; 18.37. Salvação: Comparai Is 45.21, 22; 1Tm 4.10; At 4.12; Hb 5.9; 7.25. Ressurreição: Jo 5.21, 28, 29; 6.40; 11.25. Juízo: Mt 24.30; 25.31; At 17.31; Rm 14.10; 2Co 5.10; 2Tm 4.1. 4. As que falam de suas honras. Adoração: Comparai Mt 2.11; 14.33; Lc 24.52; Hb 1.6; Jo 5.23; Ap 5.12, 13. A palavra adoração em geral significa homenagem suprema; como tal é aplicada quinze vezes no Novo Testamento a Jesus Cristo, e em nenhum caso há exprobação, como quando a adoração é oferecida a uma criatura. At 14.13-18; Ap 19.10. Desde que noventa e nove centésimos de todos os cristãos, de todas as idades, têm prestado adoração divina a Cristo, segue-se que ou a ele é devida a adoração, ou ele tem, como educador religioso, falhado tanto na sua missão de maneira a conduzir a quase totalidade de seus discípulos à idolatria de adoração à criatura. O embaixador de Deus a uma raça pecaminosa perverteu de modo tal o seu ofício a ponto de assegurar aliança a si, e não à Autoridade Suprema por quem ele foi comissionado. Em outras palavras, se Jesus não é digno de honras divinas, ele tem, então, com sucesso, rivalizado com Deus em chamar a si o amor e a homenagem da humanidade. Tal conclusão destrói a sua integridade moral. III. A terceira classe de escrituras sustenta a seguinte proposição, a saber: uma divindade em essência e uma humanidade real acham-se combinadas na pessoa de Jesus Cristo. 1. O próprio nome Jesus Cristo é prova suficiente. Sendo JESUS, Salvador, a apelação humana, e CRISTO, o Ungido, seu título oficial. “Emanuel”: Mt 1.23. Comparai também 1Tm 3.16; Jo 1.14. 2. Outra vez: “De quem descende também Cristo segundo a carne” (aqui está a sua humanidade), que é Deus sobre todas as cousas bendito por todos os séculos” (aqui está a sua divindade). Rm 9.5. Uma distinção semelhante acha-se em Rm 1.3, 4: “Segundo a carne” (humanidade), “segundo o Espírito de santificação,” ou o espírito cujo atributo é a santidade (divindade). 3. Como Deus, ele é a raiz, fonte ou origem da família e do reino de Davi. Como homem, ele descendeu dos lombos de Davi. Ap 22.16. 4. Como homem, ele chora à sepultura de Lázaro. Como Deus, ele o levanta dos mortos. Jo 11.35, 43, 44. 5. Como homem, ele sofre e morre. Mc 14.34, 35; 15.34, 37. Mas como Deus, ele levanta o seu próprio corpo da sepultura. Jo 10.18. Não há mais razão para negar a divindade de Cristo, pelo fato de que há tantos textos que falam de sua humanidade, do que negar a sua humanidade porque há tantos textos que falam de sua divindade. Como essas duas naturezas estão unidas nele, ele tem necessariamente dois modos de falar de si. E isto tem alguma analogia conosco. Por exemplo, quando dizemos: “Estou doente,” falamos do nosso corpo; quando dizemos: “Estou contente,” falamos de nossa alma, etc. Como pensaríeis se alguém tomasse metade de vossas palavras, não fazendo caso do resto, e assim procurasse provar que não éreis tanto mortal como imortal? É justamente neste erro que caem os homens a respeito de Jesus Cristo. Jesus abertamente apropria a si a divindade suprema quando diz a Filipe, “Aquele que tem visto ao Pai.” Jo 14.9. Isto é, visto ao Pai tanto quanto ele pode ser visto por mortais. Jesus era a personificação humana de Deus invisível. Assim como a alma, que é invisível, é revelada pelo que ela faz por meio do corpo, assim o Pai é visto somente no Filho. Jo 1.18. Jesus acidentalmente arroga a si posição igual à do Pai, fazendo uso dos pronomes NÓS e NOS, o que seria cúmulo da presenção a uma criatura fazer. Jo 14.23; 17.21, 22. As escrituras citadas contra esta doutrina são Jo 14.28, “Meu Pai é maior do que eu sou.” No seu ofício de Mediador, sendo mandado, ele era inferior ao Pai, que o mandou. Jesus não se refere à sua natureza mas ao seu ofício. Jesus por estas mesmas palavras dá a entender, de algum modo, uma igualdade divina, porque que homem iria dizer, “Deus é maior do que eu”! Outra citação é Mc 10.18. Aqui o Unitário cai neste dilema – ou, “Não há nenhum bom senão Deus: Cristo é bom; logo ele É DEUS;” ou, “Não há nenhum bom senão Deus: Cristo não é Deus; logo, ele NÃO É BOM.” Em vista das muitas passagens em que Cristo diz ser Deus, ou ele é Deus ou não é um homem bom. Por isso aqueles que começam negando a suprema divindade de Cristo, acabam logicamente atacando a sua integridade moral. Em Mc 13.32, sua ignorância do dia e hora da vinda do Filho do homem não prova nada contra a sua divindade, desde que pode ter sido uma parte de sua humilhação no seu ofício mediatório o ser isto oculto dele. Suas preces ao Pai não provam uma inferioridade em essência. Ele não podia ser um exemplo perfeito para nós sem piedade, e ele não podia mostrar a sua piedade sem oração, louvor e culto ao seu Pai Celestial. PRINCIPAIS ERROS a respeito da Pessoa de Jesus Cristo. 1. OS DOCETISTAS, “os aparentistas,” ensinavam que a humanidade de Jesus não era real, mas aparente, e que ele sofreu e morreu só na aparência. 2. Apolinário ensinava que Jesus só tinha um corpo humano dotado com uma alma capaz de sentir, mas não racional, e que a Divindade supria a falta da inteligência humana. 3. Os Monotelistas ensinavam que Jesus só tinha uma vontade nas suas duas naturezas. 4. Aqueles que negam a Filiação eterna ensinam que o Logos, ou o Verbo (Jo 1.1, 14), não foi filho de Deus senão quando o foi de Maria. Esta opinião nunca foi aceita como ortodoxa, nem tão pouco a seguinte: 5. Que o Logos se tornou Filho de Deus unindo-se a uma alma humana preexistente séculos antes de ele incarnar-se, da qual alma ele, no fim, se separará. A preexistência de almas humanas não é ensinada nas Escrituras, mas é uma parte da transmigração das almas encontradas na antiga mitologia. MEDITAÇÃO. A união das duas naturezas inteiras e perfeitas, a Divindade e a Humanidade, qualificam a Jesus Cristo para ser o Mediador, isto é, para representar perfeitamente Deus ao pecador e o homem decaído a Deus, e prova, pelo derramamento do seu sangue e pela agência do Espírito Santo, uma reconciliação entre eles. 1Tm 2.5; Hb 8.6; 9.15; 12.24.
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