Slideshow CK

Lançamento da Editora Reflexão
"Esdras Costa Bentho - Entre a Razão e a Emoção: A Experiência Pentecostal do Espírito" em http://www.cpadnews.com.br/
"Lucas Banzoli - Calvinismo ou Arminianismo - Quem Está com a Razão?"
"Robin Phillips - Por Que Eu Deixei de Ser Calvinista" em http://deusamouomundo.com/
"Roger E. Olson - Minha Lista de Denominações Aprovadas" em http://personaret.blogspot.com.br/
"J. Matthew Pinson - Expiação, Justificação e Apostasia no Pensamento de John Wesley" em http://www.globaltrainingresources.net/
William Lane Craig - Doutrina da Salvação - Parte 3 - Arminianismo

Robert W. Burtner e Robert E. Chiles - Coletânea da Teologia de João Wesley - II - Deus - 6. A Atividade de Deus como Redentor

6 - A Atividade de Deus como Redentor

 

Foi simplesmente pela sua graça, pelo seu livre amor, pela sua imerecida misericórdia que Deus concedeu ao homem um meio de reconciliar-se com Ele, para que não fôssemos separados da sua mão e completamente apagados da sua memória. Portanto, seja qual for o método do seu agrado apontar para a sua terna misericórdia, a sua bondade imerecida, possam os seus inimigos os quais se têm tão profundamente revoltado contra Ele e tão longa e obstinadamente se rebelado contra Ele, ainda encontrar favor aos seus olhos, e é sem dúvida sabedoria para nós aceitá-lo com gratidão.

 

Sermões: “A retidão da fé,” II, 8 (S, I, 143).

 

Atentai, pois, para a justiça e a misericórdia de Deus! A sua justiça na punição do pecado, o pecado daquele de cujos lombos todos nós provimos – Adão e toda a sua posteridade; a sua misericórdia provendo um remédio universal para um mal universal, dando o segundo Adão para que morresse por todos aqueles que tinham morrido no primeiro, de maneira que como “em Adão todos morreram, assim em Cristo todos pudessem viver,” pois, como “pelo pecado de um homem sobre todos caiu o julgamento para condenação, do mesmo modo pela retidão de um foi a todos concedido o dom gratuito para justificação para vida,” a qual está ligada ao novo nascimento – o começo da vida espiritual que, através da vida de santidade, nos guia à vida eterna, à glória.

 

Observe-se de modo especial que “onde o pecado abundou, a graça superabunda.” O dom gratuito é diferente da condenação. Podemos ganhar infinitivamente mais do que temos perdido. Podemos agora atingir maior santidade e maior glória do que nos era possível. Se Adão não tivesse pecado, o Filho de Deus não teria morrido e conseqüentemente aquele surpreendente exemplo do amor de Deus para com o homem não teria existido, o qual tem, em todos os tempos, provocado nos seus filhos grande alegria, amor e gratidão. Poderíamos amar a Deus o criador, o conservador e o governador, mas não haveria lugar para o amor a Deus o redentor. Este poderia não ter existido. Faltariam a maior glória e a maior alegria dos santos na terra e dos santos nos céus – Cristo crucificado. Nós poderíamos não ter louvado aquele que, não tendo por usurpação o ser igual a Deus, esvaziou-se a si mesmo, tomou a forma de servo e foi obediente à morte e morte de cruz!

 

Sermões: “Sobre a queda do homem,” II, 9-10 (J, VI, 224).

 

“Deus que é rico em misericórdia, ainda que quando estávamos mortos em pecados, deu-nos vida em Cristo (pela graça sois salvos), a fim de que Ele pudesse mostrar-nos a excelente riqueza da sua graça em sua bondade através de Cristo. Pela graça sois salvos, pela fé e isso não vem de vós mesmos.” De vós mesmos não vem nem a vossa fé nem a vossa salvação, mas são o dom de Deus; dom livre e imerecido; a fé pela qual sois salvos e a salvação que Ele vos dá, sendo isto do seu próprio agrado, um simples favor seu. O fato de crerdes é um exemplo da sua graça; o de serdes salvos porque credes é um outro. “Não pelas obras para que ninguém se glorie.” Pois todas as nossas obras, toda a nossa retidão anteriores à nossa crença nada valem diante de Deus, senão a sua condenação. Tão distantes estão elas da fé merecedora que esta, não importa quando tenha sido dada, não provém das obras, nem a salvação provém das obras que praticamos quando cremos, pois é Deus que opera em nós e nos dá uma recompensa pelo que Ele mesmo operou apenas ordenando as riquezas da sua misericórdia, não nos deixando nenhum motivo para nos gloriarmos.

 

Sermões: “Salvação pela fé,” III, 3 (S, I, 47-48).

 

Deus “regozija-se na prosperidade dos seus servos; Ele não tem prazer em afligir os filhos dos homens.” A sua vontade invariável é a nossa santificação acrescentada de “paz e alegria no Espírito Santo.” Estes são seus dons gratuitos, e estamos certos de que Ele não se arrepende de nos conceder os seus dons. Ele nunca se arrepende daquilo que deu e nunca deseja tornar a tirar de nós aquilo que concedeu. Ele, portanto, nunca nos deixa, como alguns dizem; somos nós que o deixamos.

 

Sermões: “O estado de solidão,” II, 1 (S, II, 249 ).

 

“Esta é a vitória que vence o mundo – a nossa fé;” fé que é, não somente um assentimento inabalável a tudo aquilo que Deus revelou nas Escrituras e em particular àquelas verdades importantes: “Jesus Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores,” “Ele levou sobre si os nossos pecados sobre o madeiro,” “Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos pecados de todo o mundo,” mas é também a revelação de Cristo em nosso coração; uma evidência divina ou convicção do seu amor livre e imerecido para comigo – um pecador; uma confiança em sua misericórdia perdoadora exercida pelo Espírito Santo em nós; confiança pela qual todos os verdadeiros crentes se capacitam a dar testemunho deste modo: “Eu sei que meu Redentor vive,” que tenho um “advogado para com o Pai,” e que “Jesus Cristo – o Justo, é meu Senhor” e a “propiciação pelos meus pecados.” Eu sei que “Ele me amou e se deu a si mesmo por mim;” Ele me reconciliou com Deus e eu tenho “a redenção através do seu sangue e o perdão dos pecados.”

 

Sermões: “A circuncisão do coração,” I, 7 (S, I, 270-71).

Adicionar comentário

Código de segurança
Atualizar

Artigos Relacionados

Perguntas Respondidas

 A pergunta surge naturalmente: se Cristo morreu por todos, por que todos não são salvos? A resposta está no simples fato de que cada um deve crer que Cristo morreu por ele antes de poder participar dos benefícios de sua morte. Em João 8.24 Jesus disse: “Porque se não crerdes que eu sou, morrereis nos vossos pecados.” Lewis Sperry Chafer declara: “A condição indicada por Cristo, sobre a qual eles (os incrédulos) podem evitar morrer nos seus pecados, não se baseia no fato de ele não morrer a seu favor, mas sim em colocarem nele a sua fé... o valor da morte de Cristo, por mais maravilhosa e completa que seja, não se aplica aos não regenerados até que venham a crer.” [Lewis Sperry Chafer, Systematic Theology (Teologia Sistemática), Dallas, TX: Dallas Seminary Press, 1947, v. III, p. 97] Esta questão de necessidade é uma aplicação pessoal, pela fé, da graça salvadora de Jesus Cristo, como ilustrado pelos detalhes da noite da páscoa. A família israelita deveria matar um cordeiro e aspergir o sangue sobre as ombreiras e a verga das portas de suas casas e os moradores deveriam então permanecer nelas. Deus disse: “O sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes: quando eu vir o sangue, passarei por vós, e não haverá entre vós praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito” (Êx 12.13). Deus não olharia no quintal onde o cordeiro fora morto, mas nas portas de cada casa. Quando visse ali o sangue, o anjo da morte não pararia. Deve haver uma aplicação pessoal, pela fé, do sangue precioso que foi derramado por nós no Calvário.

William Evans resume o assunto admiravelmente quando diz:

“A expiação é suficiente para todos; ela é eficiente para aqueles que creem em Cristo. A expiação propriamente dita, à medida que coloca a base para o trato redentor de Deus com os homens, é ilimitada; a aplicação da expiação é limitada àqueles que creem verdadeiramente em Cristo. Ele é o salvador em potencial de todos os homens; mas efetivamente só dos crentes. ‘Ora, é para esse fim que labutamos e nos esforçamos sobremodo, porquanto temos posto a nossa esperança no Deus vivo, salvador de todos os homens, especialmente dos fieis’ (1Tm 4.10).”

Fonte: Guy P. Duffield & Nathaniel M. Van Cleave, Fundamentos da Teologia Pentecostal, Vol. 1, pp. 258-260

 

Uma doutrina arminiana crucial é a graça preveniente, na qual os calvinistas também acreditam, mas os arminianos a interpretam diferentemente. A graça preveniente é simplesmente aquela graça de Deus que convence, chama, ilumina e capacita, e que precede a conversão e torna o arrependimento e a fé possíveis. Os calvinistas a interpretam como irresistível e eficaz; a pessoa em quem ela opera irá crer e arrepender-se para salvação. Os arminianos a interpretam como resistível; as pessoas são sempre capazes de resistir à graça de Deus, como a Escritura chama a atenção (At 7.51). Mas sem a graça preveniente, elas inevitavelmente e inexoravelmente resistirão à vontade de Deus por causa de sua escravidão ao pecado.

Quando falamos de “graça preveniente” estamos pensando na que “precede”, que prepara a alma para a sua entrada no estado inicial da salvação. É a graça preparatória do Espírito Santo exercida para o homem enfraquecido pelo pecado. Pelo que se refere aos impotentes, é tida como força capacitadora. É aquela manifestação da influência divina que precede a vida de regeneração completa.

Em um sentido, então, os arminianos, como os calvinistas, creem que a regeneração precede a conversão; o arrependimento e a fé são somente possíveis porque a velha natureza está sendo dominada pelo Espírito de Deus. A pessoa que recebe a total intensidade da graça preveniente (isto é, através da proclamação da Palavra e a chamada interna correspondente de Deus) não mais está morta em delitos e pecados. Entretanto, tal pessoa não está ainda completamente regenerada. A ponte entre a regeneração parcial pela graça preveniente e a completa regeneração pelo Espírito Santo é a conversão, que inclui arrependimento e fé. Estes se tornam possíveis por dádiva de Deus, mas são livres respostas da parte do indivíduo. “O Espírito opera com o concurso humano e por meio dele. Nesta cooperação, contudo, dá-se sempre à graça divina preeminência especial.”

A ênfase sobre a antecedência e preeminência da graça forma o denominador comum entre o Arminianismo e o Calvinismo. É o que torna o sinergismo arminiano “evangélico.” Os arminianos levam extremamente a sério a ênfase neotestamentária na salvação como um dom da graça que não pode ser merecido (Ef 2.8). Entretanto, as teologias arminianas e calvinistas – como todos os sinergismos e monergismos – divergem sobre o papel que os humanos desempenham na salvação. Como Wiley observa, a graça preveniente não interfere na liberdade da vontade. Ela não dobra a vontade ou torna certa a resposta da vontade. Ela somente capacita a vontade a fazer a escolha livre para cooperar ou resistir à graça. Essa cooperação não contribui para a salvação, como se Deus fizesse uma parte e os humanos fizessem outra parte. Antes, a cooperação com a graça na teologia arminiana é simplesmente não-resistência à graça. É meramente decidir permitir a graça fazer sua obra renunciando a todas as tentativas de auto-justificação e auto-purificação e admitindo que somente Cristo pode salvar. Todavia, Deus não toma esta decisão pelo indivíduo; é uma decisão que os indivíduos, sob a pressão da graça preveniente, devem tormar por si mesmos.

Fonte: Roger E. Olson, Arminian Theology: Myths and Realities, p. 35-36

A morte de Cristo por todos os homens pode ser concluída de diversas passagens das Escrituras:

1 – Daquelas que dizem que ele morreu por “todo homem”, por “todos os homens”, por “todos”, pelo “mundo”, por “todo o mundo”:

Pois o amor de Cristo nos constrange, porque julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram; e ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. [2Co 5.14-15]

Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo. [1Tm 2.5-6]

Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos. [Hb 2.9]

E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo. [1Jo 2.2]

2 – Daquelas que dizem que Deus em Cristo reconciliou o mundo:

Pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação. [2Co 5.19]

3 – Daquelas que dizem que Cristo daria sua vida pelo mundo:

Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo. [Jo 6.51]

4 – Daquelas que dizem que a graça veio sobre todos os homens:

Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus. [Rm 3.23-24]

Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida. [Rm 5.18]

Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens. [Tt 2.11]

5 – Daquelas que dizem que Deus deseja a salvação de todos os homens:

Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor Deus, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que razão morrereis, ó casa de Israel? [Ez 33.11]

Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade. [1Tm 2.3-4]

O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; porém é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se. [2Pe 3.9]

6 – Daquelas que dizem que o Evangelho deve ser pregado a todos os homens:

E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. [Mc 16.15-16]

E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, e em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém. [Lc 24.46-47]

Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam. [At 17.30]

7 – Daquelas que dizem que Jesus veio salvar os perdidos:

Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido. [Lc 19.10]

8 – Daquelas que dizem que Jesus é o Salvador do mundo ou de todos os homens:

E diziam à mulher: Já não é pela tua palavra que nós cremos; pois agora nós mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo. [Jo 4.42]

Pois para isto é que trabalhamos e lutamos, porque temos posto a nossa esperança no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, especialmente dos que crêem. [1Tm 4.10]

E nós temos visto, e testificamos que o Pai enviou seu Filho como Salvador do mundo. [1Jo 4.14]

9 – Daquelas que dizem que Jesus veio salvar o mundo:

No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. [Jo 1.29]

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. [Jo 3.16-17]

E, se alguém ouvir as minhas palavras, e não as guardar, eu não o julgo; pois eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo. [Jo 12.47]

Ressuscitando Deus a seu Filho Jesus, primeiro o enviou a vós, para que nisso vos abençoasse, no apartar, a cada um de vós, das vossas maldades. [At 3.26]

10 – Daquelas que dizem que Jesus se entregou por aqueles que o rejeitam:

Disse-lhes, pois, Jesus: Na verdade, na verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu. Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. [Jo 6.32-33]

11 – Daquelas que dizem que Jesus morreu pelos judeus:

Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós. [Is 53.6]

Ora ele não disse isto de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação. [Jo 11:51]

12 – Daquelas que dizem que Jesus morreu pelos ímpios ou veio salvá-los:

Pois, quando ainda éramos fracos, Cristo morreu a seu tempo pelos ímpios. [Rm 5.6]

Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal. [1Tm 1:15]

13 – Daquelas que dizem que Jesus morreu por aqueles que se perdem ou que correm risco de se perderem:

Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu. [Rm 14.15]

Pela tua ciência, pois, perece aquele que é fraco, o teu irmão por quem Cristo morreu. [1Co 8.11]

De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça? [Hb 10:29]

Mas houve também entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá falsos mestres, os quais introduzirão encobertamente heresias destruidoras, negando até o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. [2Pe 2.1]

Artigo 1

Que Deus, por um eterno e imutável plano em Jesus Cristo, seu Filho, antes que fossem postos os fundamentos do mundo, determinou salvar, de entre a raça humana que tinha caído no pecado – em Cristo, por causa de Cristo e através de Cristo – aqueles que, pela graça do Santo Espírito, crerem neste seu Filho e que, pela mesma graça, perseverarem na mesma fé e obediência de fé até o fim; e, por outro lado, deixar sob o pecado e a ira os costumazes e descrentes, condenando-os como alheios a Cristo, segundo a palavra do Evangelho de Jo 3.36 e outras passagens da Escritura.

 Artigo 2

Que, em concordância com isso, Jesus Cristo, o Salvador do mundo, morreu por todos e cada um dos homens, de modo que obteve para todos, por sua morte na cruz, reconciliação e remissão dos pecados; contudo, de tal modo que ninguém é participante desta remissão senão os crentes.

 Artigo 3

Que o homem não possui por si mesmo graça salvadora, nem as obras de sua própria vontade, de modo que, em seu estado de apostasia e pecado para si mesmo e por si mesmo, não pode pensar nada que seja bom – nada, a saber, que seja verdadeiramente bom, tal como a fé que salva antes de qualquer outra coisa. Mas que é necessário que, por Deus em Cristo e através de seu Santo Espírito, seja gerado de novo e renovado em entendimento, afeições e vontade e em todas as suas faculdades, para que seja capacitado a entender, pensar, querer e praticar o que é verdadeiramente bom, segundo a Palavra de Deus [Jo 15.5].

 Artigo 4

Que esta graça de Deus é o começo, a continuação e o fim de todo o bem; de modo que nem mesmo o homem regenerado pode pensar, querer ou praticar qualquer bem, nem resistir a qualquer tentação para o mal sem a graça precedente (ou preveniente) que desperta, assiste e coopera. De modo que todas as obras boas e todos os movimentos para o bem, que podem ser concebidos em pensamento, devem ser atribuídos à graça de Deus em Cristo. Mas, quanto ao modo de operação, a graça não é irresistível, porque está escrito de muitos que eles resistiram ao Espírito Santo [At 7 e alibi passim].

 Artigo 5

Que aqueles que são enxertados em Cristo por uma verdadeira fé, e que assim foram feitos participantes de seu vivificante Espírito, são abundantemente dotados de poder para lutar contra Satã, o pecado, o mundo e sua própria carne, e de ganhar a vitória; sempre – bem entendido – com o auxílio da graça do Espírito Santo, com a assistência de Jesus Cristo em todas as suas tentações, através de seu Espírito; o qual estende para eles suas mãos e (tão somente sob a condição de que eles estejam preparados para a luta, que peçam seu auxílio e não deixar de ajudar-se a si mesmos) os impele e sustenta, de modo que, por nenhum engano ou violência de Satã, sejam transviados ou tirados das mãos de Cristo [Jo 10.28]. Mas quanto à questão se eles não são capazes de, por preguiça e negligência, esquecer o início de sua vida em Cristo e de novamente abraçar o presente mundo, de modo a se afastarem da santa doutrina que uma vez lhes foi entregue, de perder a sua boa consciência e de negligenciar a graça – isto deve ser assunto de uma pesquisa mais acurada nas Santas Escrituras antes que possamos ensiná-lo com inteira segurança.

A cláusula final, porque a fé não é de todos, visa ser uma explicação da conduta hostil dalguns. aqui pode ser entendida no sentido de confiança (nem todos os homens exercem fé) ou, menos provavelmente, como o corpo da fé (nem todos os homens aceitam a fé). As versões oferecidas por Frame, pág. 292, “pois a fé não é para todos” e “não são todos que são atraídos pela fé,” são menos prováveis que a de “porque nem todos os homens têm fé” (RSV), que entende a cláusula como espelho de experiência de Paulo. A declaração talvez pareça um pouco banal e desnecessária. Terá maior relevância se for visto não tanto como conclusão daquilo que acaba de ser dito quanto como introdução ao versículo seguinte; ou seja, Paulo a escreveu para servir de ligação com o versículo seguinte ao invés de ser uma declaração importante isoladamente. Ao mesmo tempo, a cláusula transmite o reconhecimento de Paulo de que, embora a oração seja em prol da pregação bem-sucedida da palavra, nem todos creem nem crerão.

I. Howard Marshall, I e II Tessalonicenses: Introdução e Comentário, p. 250

Recomendo a Leitura

Christian Theology
By Adam Clarke

Ler mais...

Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia
By Norman L. Geisler & Thomas Howe

Ler mais...

Surpreendido pela Esperança
By N. T. Wright

Ler mais...

Vídeos