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Scot McKnight - Pós-Calvinismo: 7. E Daí?

Pós-Calvinismo: 7. E Daí?

 

Scot McKnight

 

Na verdade, que diferença faz ser calvinista ou arminiano na interpretação das Passagens de Advertências de Hebreus? Há várias formas de falar de “diferença”, mas no nível da vida cristã concreta, faz tanta diferença assim?

 

Começo com esta observação. Faz uma enorme diferença para o evangélico contemporâneo que acredita na segurança eterna, certeza de fé e que alguém que recebeu Cristo não pode genuinamente apostatar-se. O slogan “uma vez salvo, sempre salvo” é profundamente ameaçado pela visão de Hebreus que ofereci.

 

Para o calvinista e o arminiano clássico – e eu sei que isto pode soar a muitos como um monte de bobagens– há muito pouca diferença nesse aspecto: ambos creem que a perseverança é necessária. O que significa que ambos creem que somente aqueles que persistirem em seu relacionamento encontrarão aquele repouso eterno.

 

Mas eu contei um pouco de minha própria jornada. Eis o que notei.

 

Em primeiro lugar, percebi uma renovação do senso de temor de Deus que é tão proeminente em Hebreus. Uma vez que me convenci que uma pessoa, sim, que eu poderia crer e apostatar, o pecado se tornou mais importante e a perspectiva de apostatar mais realística. Agora, não me interpretem mal, eu não vivo com um certo pavor mórbido. A certeza acompanha a fidelidade para ambos calvinistas e arminianos. Ambos, pelo menos no meu caso, sabem que a redenção está enraizada nos poderes salvadores de Cristo e que a fé – no sentido de fidelidade e confiança – é exigida.

 

Em segundo lugar, isto influenciou como eu apresentei o Evangelho. Seja lá como for que alguém queira apresentar o Evangelho, por meio de algum panfleto, história pessoal ou lógica racional, o apelo a crer, na minha opinião, é um apelo a tornar-se crente – não apenas crer de uma vez por todas num único momento. O apelo à perseverança é parte integrante do apelo a crer.

 

Em terceiro lugar, estou persuadido que manter esta visão não significa que eu (ou alguém que a compartilha comigo) creio que eu contribuo para a minha própria salvação. Ao invés disso, o que esta doutrina me encoraja a fazer é crer, vigiar e perseverar. Me torna mais consciente da necessidade da graça e do poder do Espírito Santo.

 

Em quarto lugar, e aqui eu peço sua indulgência numa pergunta que tenho feito por 20 anos: é possível que alguns escritores bíblicos sejam mais arminianos e alguns mais calvinistas? Se for, teríamos que perguntar no que consiste a unidade da Escritura. Ela consiste numa teologia sistemática que de alguma forma está por trás de tudo que foi dito ou consiste na essência do Evangelho e o apelo a viver diante de Deus na comunidade de fé? Isto fica para uma próxima oportunidade, mas esta é uma área que merece ser explorada.

 

Antes de encerrar por essa noite, permita-me mencionar dois livros que diferem de mim.

 

T. Schreiner, A. Caneday, The Race Set before Us.

T. Schreiner, B. Ware, The Grace of God and the Bondage of the Will.

 

Quero agradecer as várias pessoas que responderam a esta série. Demorei um pouco a ideia porque imaginei que ela poderia mais dividir do que unir. O que eu acho é que uma abordagem autobiográfica é menos divisiva, embora nossas diferenças permaneçam.

 

Fonte: http://www.patheos.com/community/jesuscreed/2005/08/02/post-calvinism-so-what/

 

Tradução: Paulo Cesar Antunes

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Perguntas Respondidas

 A pergunta surge naturalmente: se Cristo morreu por todos, por que todos não são salvos? A resposta está no simples fato de que cada um deve crer que Cristo morreu por ele antes de poder participar dos benefícios de sua morte. Em João 8.24 Jesus disse: “Porque se não crerdes que eu sou, morrereis nos vossos pecados.” Lewis Sperry Chafer declara: “A condição indicada por Cristo, sobre a qual eles (os incrédulos) podem evitar morrer nos seus pecados, não se baseia no fato de ele não morrer a seu favor, mas sim em colocarem nele a sua fé... o valor da morte de Cristo, por mais maravilhosa e completa que seja, não se aplica aos não regenerados até que venham a crer.” [Lewis Sperry Chafer, Systematic Theology (Teologia Sistemática), Dallas, TX: Dallas Seminary Press, 1947, v. III, p. 97] Esta questão de necessidade é uma aplicação pessoal, pela fé, da graça salvadora de Jesus Cristo, como ilustrado pelos detalhes da noite da páscoa. A família israelita deveria matar um cordeiro e aspergir o sangue sobre as ombreiras e a verga das portas de suas casas e os moradores deveriam então permanecer nelas. Deus disse: “O sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes: quando eu vir o sangue, passarei por vós, e não haverá entre vós praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito” (Êx 12.13). Deus não olharia no quintal onde o cordeiro fora morto, mas nas portas de cada casa. Quando visse ali o sangue, o anjo da morte não pararia. Deve haver uma aplicação pessoal, pela fé, do sangue precioso que foi derramado por nós no Calvário.

William Evans resume o assunto admiravelmente quando diz:

“A expiação é suficiente para todos; ela é eficiente para aqueles que creem em Cristo. A expiação propriamente dita, à medida que coloca a base para o trato redentor de Deus com os homens, é ilimitada; a aplicação da expiação é limitada àqueles que creem verdadeiramente em Cristo. Ele é o salvador em potencial de todos os homens; mas efetivamente só dos crentes. ‘Ora, é para esse fim que labutamos e nos esforçamos sobremodo, porquanto temos posto a nossa esperança no Deus vivo, salvador de todos os homens, especialmente dos fieis’ (1Tm 4.10).”

Fonte: Guy P. Duffield & Nathaniel M. Van Cleave, Fundamentos da Teologia Pentecostal, Vol. 1, pp. 258-260

 

Uma doutrina arminiana crucial é a graça preveniente, na qual os calvinistas também acreditam, mas os arminianos a interpretam diferentemente. A graça preveniente é simplesmente aquela graça de Deus que convence, chama, ilumina e capacita, e que precede a conversão e torna o arrependimento e a fé possíveis. Os calvinistas a interpretam como irresistível e eficaz; a pessoa em quem ela opera irá crer e arrepender-se para salvação. Os arminianos a interpretam como resistível; as pessoas são sempre capazes de resistir à graça de Deus, como a Escritura chama a atenção (At 7.51). Mas sem a graça preveniente, elas inevitavelmente e inexoravelmente resistirão à vontade de Deus por causa de sua escravidão ao pecado.

Quando falamos de “graça preveniente” estamos pensando na que “precede”, que prepara a alma para a sua entrada no estado inicial da salvação. É a graça preparatória do Espírito Santo exercida para o homem enfraquecido pelo pecado. Pelo que se refere aos impotentes, é tida como força capacitadora. É aquela manifestação da influência divina que precede a vida de regeneração completa.

Em um sentido, então, os arminianos, como os calvinistas, creem que a regeneração precede a conversão; o arrependimento e a fé são somente possíveis porque a velha natureza está sendo dominada pelo Espírito de Deus. A pessoa que recebe a total intensidade da graça preveniente (isto é, através da proclamação da Palavra e a chamada interna correspondente de Deus) não mais está morta em delitos e pecados. Entretanto, tal pessoa não está ainda completamente regenerada. A ponte entre a regeneração parcial pela graça preveniente e a completa regeneração pelo Espírito Santo é a conversão, que inclui arrependimento e fé. Estes se tornam possíveis por dádiva de Deus, mas são livres respostas da parte do indivíduo. “O Espírito opera com o concurso humano e por meio dele. Nesta cooperação, contudo, dá-se sempre à graça divina preeminência especial.”

A ênfase sobre a antecedência e preeminência da graça forma o denominador comum entre o Arminianismo e o Calvinismo. É o que torna o sinergismo arminiano “evangélico.” Os arminianos levam extremamente a sério a ênfase neotestamentária na salvação como um dom da graça que não pode ser merecido (Ef 2.8). Entretanto, as teologias arminianas e calvinistas – como todos os sinergismos e monergismos – divergem sobre o papel que os humanos desempenham na salvação. Como Wiley observa, a graça preveniente não interfere na liberdade da vontade. Ela não dobra a vontade ou torna certa a resposta da vontade. Ela somente capacita a vontade a fazer a escolha livre para cooperar ou resistir à graça. Essa cooperação não contribui para a salvação, como se Deus fizesse uma parte e os humanos fizessem outra parte. Antes, a cooperação com a graça na teologia arminiana é simplesmente não-resistência à graça. É meramente decidir permitir a graça fazer sua obra renunciando a todas as tentativas de auto-justificação e auto-purificação e admitindo que somente Cristo pode salvar. Todavia, Deus não toma esta decisão pelo indivíduo; é uma decisão que os indivíduos, sob a pressão da graça preveniente, devem tormar por si mesmos.

Fonte: Roger E. Olson, Arminian Theology: Myths and Realities, p. 35-36

É verdade que o pastor começa 1Tm 2.1 solicitando que orações sejam feitas por todos os homens, e então especifica reis e governantes. O “todos” do verso 1 claramente não pode ser restringido tomando o verso 2 com o significado de “a saber, reis e governantes.”
 
Há mais a ser dito para a opinião de que ele queira dizer “todas as classes de pessoas, incluindo (por exemplo) reis e governantes (que vocês devem ter negligenciado).” Mas isto leva a um problema. O propósito da oração pelos governantes no verso 2 é “para que tenhamos uma vida quieta e sossegada.” Não é uma oração pela sua salvação (embora isso não seja necessariamente excluído), mas antes é uma oração para que governantes não-cristãos possam levar uma vida de tal forma que os cristãos não sejam molestados mas livres para viver uma vida devota. Mas então temos um problema com os versos 3-6, que oferecem um reforço muito estranho para um comando para orar para que cristãos possam levar uma vida sossegada.
 
É melhor assumir que o pastor começou a escrever no verso 1 de oração pela salvação de todos os homens e então foi desviado para mencionar a necessidade particular para orar pelos governantes para que os cristãos possam ter paz para viver uma vida devota. Admitidamente é estranho que o propósito de fato expressado pela oração não é um desejo pela paz para proclamar o evangelho (à maneira de Rm 15.31-32; 2Ts 3.2) mas pela paz para viver vidas devotas. Parece que o pastor está dizendo que orações de todos os tipos sejam feitas por todas as pessoas. Ele menciona incidentalmente a necessidade de incluir orações pelos governantes para que os cristãos possam viver em paz, mas seu principal pensamento é que orações sejam oferecidas pela salvação de todas as pessoas. O pensamento no verso 1 é assim reassumido no verso 3, e o verso 2 é parentético. Se assim, não há nenhuma razão para supor que “todos os homens” significa qualquer outra coisa que “todas as pessoas no mundo.”
 
Mas poderia a expressão no verso 1 ainda simplesmente significar “todas as classes de pessoas,” tais como reis, governantes, e outras categorias? Obviamente, se a referência é literalmente a “todos os homens,” então “todas as classes de homens” estão implicitamente incluídas e pretendidas. Mas se a referência é a “todas as classes de pessoas” – para quem a oração deve ser feita e quem Deus deseja que seja salvo – então o pastor está declarando que, visto que o propósito salvífico de Deus inclui pessoas de todas as classes, devemos orar por todas as classes.      Mas como isto ajuda o defensor da doutrina da expiação limitada? Ele então tem que dizer que oração deve ser oferecida pelos “grupos eleitos dentro de todos os grupos na sociedade” – por exemplo, pelos reis eleitos dentro do grupo dos reis. Ele pelo menos sabe que haverá pessoas eleitas em todo grupo social, mas ele terá que projetar sua oração “para aqueles números (limitados) de pessoas dentro de todo e cada grupo que Deus pretende salvar.” Não há, obviamente, nenhuma razão para orar pela salvação dos não-eleitos, que não irão ser salvos; embora alguém possa orar para que eles não molestem os cristãos (v. 2). E há a dificuldade que alguém não sabe se indivíduos específicos pertençam aos eleitos ou não. Presumivelmente alguém simplesmente ora para que a vontade de Deus de salvar aqueles que são eleitos em todo e qualquer grupo social seja cumprida. Mas isto não é de fato o que o pastor diz aos seus leitores fazerem; ele ordena oração por “todas as classes de pessoas” (nesta interpretação), não para que oremos que a vontade de Deus relativa aos seus eleitos, que serão achados entre todas as classes de pessoas, seja cumprida. Dessa forma a interpretação da expiação limitada tem que recorrer ao que parece torcer o texto, e não há em qualquer caso nada no texto que sugira esta interpretação antes que a interpretação literal.
 
I. Howard Marshall, The Grace of God the Will of Man, 61-63

Ez 18.23 - Tenho eu algum prazer na morte do ímpio? diz o Senhor Deus. Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva?

Jn 4.11 - E não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive em que há mais de cento e vinte mil pessoas que não sabem discernir entre a sua mão direita e a esquerda, e também muito gado?

Mt 23.37 - Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, apedrejas os que a ti são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e não o quiseste!

Mr 16.15 - E disse-lhes: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura.

Jo 3.17 - Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.

Jo 12.47 - E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo.

At 17.30 - Mas Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens em todo lugar se arrependam.

Rm 5.18 - Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.

2Co 5.19 - Pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação.

1Tm 2.4 - [Deus] Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.

1Tm 4.10 - Porque para isto trabalhamos e lutamos, pois esperamos no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis.

Tt 2.11 - Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens.

1Jo 4.14 - E vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo.

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