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Douglas Wilson X Jack Cottrell - A Soberania, o Controle e os Decretos de Deus

A Soberania, o Controle e os Decretos de Deus
 
Douglas Wilson & Jack Cottrell
 
O livro de Romanos, entre outras partes da Escritura, nos ensina muito sobre as bênçãos do controle soberano de Deus, mas os cristãos muitas vezes têm discordado em aspectos importantes sobre este tema bíblico central.
 
No seguinte diálogo, o editor da Credenda/Agenda, Douglas Wilson e Jack Cottrell, Professor de Teologia no Cincinnati Bible Seminary, discutem a questão da soberania de Deus. Jack Cottrell, Ph.D. Princeton Seminary, M.Div Westminster Theological Seminary, escreveu numerosos livros e artigos, incluindo discussões da soberania de Deus em seu livro sobre a providência, What the Bible Says About God the Ruler (College Press, 1985), e em Grace Unlimited e The Grace of God, The Will of Man (ambos editados por Clark Pinnock). Atualmente o Dr. Cottrell está escrevendo um comentário sobre o livro de Romanos.
 
Douglas Wilson aborda os pontos de debate da soberania de Deus de uma perspectiva reformada tradicional, e Jack Cottrell de uma perspectiva arminiana tradicional. Cada um diria que almeja apenas ser fiel à Escritura.
 
Douglas Wilson: Todos os cristãos reconhecem que Deus é soberano; todos gostamos muito do termo. Certamente nenhum cristão jamais iria querer afirmar que Deus não é soberano. Mas o que isto significa? Os cristãos também concordam que o conceito envolve exatamente o que a Bíblia diz. Mas isto apenas coloca a questão um passo atrás. O que exatamente a Bíblia diz sobre o assunto? Para começar nossa discussão, eu gostaria de propor que há dois aspectos da soberania divina exigidos pela Escritura. O primeiro é que os decretos soberanos de Deus não são limitados por nada fora dele mesmo. O segundo é que Seus decretos são eficazes; eles cumprem exatamente o que Deus pretendeu no decreto.
 
Jack Cottrell: Exato, os decretos soberanos de Deus não são limitados por nada fora dele mesmo e são eficazes. Mas todas as obras de Deus não são decretos (Sua vontade decretiva). Pelo seu decreto ilimitado e eficaz de criar, Deus originou um universo que inclui pessoas com livre-arbítrio e forças impessoais (leis naturais), ambas as quais Ele permite agir dentro dos limites de Seu controle soberano. Ele mantém este controle mediante Sua onisciência (especialmente o pré-conhecimento) e onipotência, através da qual Ele pode impedir qualquer evento potencial que Ele dessa forma escolhe, ou permite que venha a acontecer (Sua vontade permissiva). A medida máxima da soberania de Deus é este controle soberano sobre Sua criação, não Sua causação de todo evento dentro dela por meio de decretos eficazes.
 
Douglas Wilson: Você diz que Deus permite o livre-arbítrio e a lei natural dentro dos limites do controle soberano de Deus. Mas quão frouxos são esses limites? Deus é como um pai que leva os filhos para brincar contanto que eles “permaneçam no quintal”? Ou Ele, através de Seu pré-conhecimento e onipotência, controla todos os movimentos das crianças no quintal? Se o primeiro, seria realmente adequado referirmos a isto como “controle absoluto”? Coisas indesejadas podem acontecer dentro do quintal. Mas se o último, então nosso debate não tem se transformado numa discussão reformada interna sobre o mecanismo de controle? Afinal de contas, qual é a diferença substancial entre causação e controle?
 
Jack Cottrell: A primeira analogia do quintal é deística e inaceitável. A segunda é melhor, mas “controle” é ambíguo. Dentro de um decreto eficaz, abrangente, Deus “controla” todos os movimentos planejando-os e causando-os. Esta conotação é inaceitável. Antes, Deus “controla” todas as coisas no sentido que Ele está no controle delas. Deus causa algumas coisas, para infalivelmente cumprir Seus propósitos. Mas na maioria dos casos Ele respeita a integridade de Sua própria escolha de criar criaturas com livre-arbítrio permitindo-os efetuarem até mesmo “coisas indesejadas” (Mt 23.37; 2Pe 3.9). Todavia, Ele ainda está no controle, visto que Ele pode soberanamente impedir um ato pretendido sempre que desejar (Lc 12.19-20; Tg 4.13-15). Esta diferença é realmente substancial.
 
Douglas Wilson: Ambos concordamos que Deus permite certas “coisas indesejadas” (Ef 4.30). Mas isto significa que também concordamos que Deus deseja permitir estas coisas indesejadas. Neste caso, estas coisas permitidas claramente não são coisas que Ele absolutamente não as desejou. Se Deus conhece todas as coisas que resultarão se Ele criar, e subseqüentemente cria, então este ato de criação revela uma decisão de que toda resultante ou eventos dependentes irão acontecer (Ef 1.11). Para ilustrar, se Ele decide que o avião cairá, então esta é também uma decisão de que os passageiros também irão cair. Discordamos apenas quanto a se chamamos isto um decreto. Mas seja qual for o nome que damos, Sua decisão soberana de criar predetermina tudo o que segue dela (Mt 10.29).
 
Jack Cottrell: O que você diz é verdadeiro somente se o pré-conhecimento total de Deus deste mundo específico precedeu Sua decisão de criá-lo. Entretanto, eu afirmo o oposto: a decisão de Deus de criar este mundo específico de seres com livre-arbítrio precedeu Seu pré-conhecimento dele (se lógica ou cronologicamente é irrelevante). Seu pré-conhecimento da história universal é real, mas é o resultado de Seu decreto de criar este universo específico. Desta forma, as escolhas humanas são verdadeiramente livres, embora Deus as conheça de antemão; mas isto não significa que Ele deseja cada escolha específica. O que Ele deseja é seres com livre-arbítrio, mesmo com o risco de que eles escolham o oposto de Seu desejo e plano para eles.
 
Douglas Wilson: Se o decreto de Deus foi de alguma forma anterior ao Seu pré-conhecimento, então Seu decreto foi cego – mas ainda assim um decreto determinativo. Se for afirmado que Deus determinou criar este universo específico antes que Ele soubesse de alguma maneira o que aconteceria nele, então a resposta bíblica deve ser que isto é inteiramente inconsistente com o que a Escritura ensina sobre Sua santidade, justiça e sabedoria. Tendo cegamente determinado criar, segue que Deus poderia não desejar toda escolha específica que fazemos. É possível que Ele pudesse não desejar alguma escolha específica? Quando Deus abriu Seus olhos depois de Seu inalterável decreto de criar, Ele disse, “Ó, não!”? Isto é determinismo cego cristão?
 
Jack Cottrell: O decreto de Deus foi determinativo com referência à Sua decisão de criar um universo governado por leis naturais e que inclui pessoas com livre-arbítrio. Isto dificilmente é determinismo, que significaria que todo evento foi predeterminado por Deus. Nem tal decreto é cego considerando os eventos contingentes que resultariam destas leis e vontades, visto que em Sua onisciência Deus conhecia de antemão todas as possíveis combinações dessas contingências. Deste modo Ele não foi pego de surpresa quando Seu pré-conhecimento Lhe mostrava o que de fato iria acontecer. Além disso, Ele pré-planejou o processo de redenção através de Cristo para lidar com a pior contingência se necessário. Este entendimento magnifica, antes que nega, a santidade, justiça e sabedoria divinas.
 
Douglas Wilson: Em outras palavras, você está dizendo que Deus considerou todos os universos possíveis com leis naturais e livre-arbítrio, digamos de A a Z. Tendo providenciado redes de segurança, Ele então fechou Seus olhos, e quando estava suficientemente escuro, Ele predeterminou aquele que aconteceria (digamos, M). Mas isto significa que a diferença entre nós não é se Deus predeterminou o universo, mas, antes, se Ele sabia o que estava fazendo quando o predeterminou. Me parece que este arranjo de universos possíveis, dos quais Deus aleatoriamente selecionou um, é um modelo bem distante das claras afirmações da Escritura. Servimos aquele “que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade...” (Ef 1.11).
 
Jack Cottrell: Você está determinado a ver determinismo mesmo onde não existe. Em primeiro lugar, não confunda minha concepção com aquela denominada “conhecimento médio.” Embora Deus saiba todos os universos possíveis que poderia suceder de Sua decisão inicial de criar criaturas com livre-arbítrio, o universo que na verdade se desenvolve não é pré-selecionado (predeterminado) por Ele. A partir de Sua decisão de criar, Ele simplesmente pré-conhece aquele que irá se desenvolver, e trabalha Seus próprios propósitos salvadores dentro, através e fora dele. Em segundo lugar, Ef 1.11 não significa que Deus é a causa originadora (predeterminativa) de todo evento específico; antes, através de Seu pré-conhecimento e poder soberano Ele adapta todas as coisas em Seu propósito último para a criação (cf. Rm 8.28).
 
Douglas Wilson: Estou entendendo que você não está afirmando que Deus escolheu o universo M, sabendo na época que seria o universo M. Você está afirmando que Deus criou o universo M, não tendo certeza de que Sua ação resultaria no universo M. Como um jogador com grandes dados, Ele não sabia o que aconteceria – mas Ele sabia quais eram as possibilidades. Mas ainda tem que ser mostrado como a ignorância dos detalhes futuros de Sua parte preserva o ato criador de ser predeterminativo. Não obstante Sua ignorância, ainda é o lance do jogador que determina o resultado. Ao criar, Deus determinou o universo que existe; estamos discutindo se Ele o criou cega ou inteligentemente.
 
Jack Cottrell: A analogia dos dados é falsa, considerando que os dados são passivos e inertes e recebem todo seu movimento daquele que os arremessa. Criaturas com livre-arbítrio, entretanto, são seres pessoais que são capazes de criar suas próprias escolhas. O Criador certamente busca influenciar estas escolhas, mas Ele não as predetermina de alguma forma. Uma analogia mais próxima seria um casal que arrisca “criar” um filho. Uma vez feito, eles o influenciam tanto quanto podem, mas o filho no final das contas escolhe por si mesmo. Como com os pais, a decisão de Deus de criar seres com livre-arbítrio exigiu um risco. Mas Deus imediatamente pré-conheceu sua conseqüência, e de antemão planejou como tecer os fios de Seu propósito redentor dentro da tapeçaria das decisões humanas pré-conhecidas.
 
Douglas Wilson: Se a analogia dos dados é falsa por tais razões, então o que podemos dizer da analogia bíblica do Oleiro e os vasos (Is 29.16; Jr 18.4-6)? Barro é passivo também. Sua analogia de possíveis pais “se arriscando” na verdade não faz jus ao caso. A fim de adequar seus atos anteriores, os pais teriam que determinar a quantidade de todas as crianças possíveis, determinar tudo que eles fariam com cada criança possível, determinar tudo que eles fariam para cada combinação possível de escolhas feitas por cada criança, conceber uma criança cegamente, e imediatamente saber o destino final daquela criança. Isto corresponde ao caso, mas também ilustra como Deus na criação predetermina “tudo que acontece.”
 
Jack Cottrell: Não se justifica pressionar minha analogia além do ponto único de risco. Sua penúltima sentença obviamente não se aplica aos pais, embora ela convenientemente resume o que eu tenho dito sobre Deus. Entretanto, sua última sentença não segue da precedente. As escolhas de uma criatura são suas. Deus não as predetermina; Ele reage a elas. A analogia do barro ilustra o Senhorio absoluto de Deus como Criador, e Seu soberano controle sobre povos e nações até mesmo quando eles consciente e ativamente se rebelam contra Ele (como em Is 29.16; 45.9; Rm 9.1-20). Seu ponto principal é mostrar o direito e capacidade de Deus de escolher, usar e rejeitar Israel coletivamente, como uma nação, de acordo com Sua vontade e propósito.
 
Douglas Wilson: Você admitiu anteriormente que o “pré-conhecimento de Deus é o resultado de Seu decreto de criar este universo específico.” Nós então concordamos que Deus criou este universo específico. Isto significa que os subconjuntos deste universo específico foram criados por Deus. Deus não criaria dez maçãs sem criar a terceira. Assim, este universo específico é a soma de suas partes, incluindo nossas escolhas livres. Uma escolha livre acontecendo de outra forma significaria um outro universo específico. Ao criar este universo, Deus criou as escolhas que ele contém. Cegamente ou não, Ele o criou, e não nós mesmos. Concordamos que o determinismo implica que todo evento é predeterminado. Você ainda não explicou porque isto exclui sua posição.
 
Jack Cottrell: Pelo contrário, eu expliquei repetidas vezes, usando palavras simples. Sim, o determinismo implica que todo evento é predeterminado. Sim, Deus criou este universo específico. Mas “este universo específico” inclui criaturas com vontade genuinamente livres. Dessa forma alguns “subconjuntos” deste universo específico (isto é, eventos que resultam de escolhas livres) não são criados por Deus, mas num sentido real são criados pelas próprias criaturas. Dessa forma, todo evento neste universo específico não é predeterminado. Depois que Deus criou este universo específico, ele poderia ter se desenvolvido de incontáveis maneiras, dependendo das escolhas feitas pelas criaturas livres. Lamento que esta conversa não passou da fase das definições, mas enquanto você insistiu em me rotular de determinista, não tivemos nada substancial a discutir.
 
Douglas Wilson: Eu na verdade não compartilho de seu lamento; muitos assuntos debatidos, este inclusive, necessitam de muito trabalho na fase de definições. Você diz que depois que Deus criou este “universo específico, ele poderia ter se desenvolvido de incontáveis maneiras.” Mas eu achei que tínhamos concordado que ele poderia somente se desenvolver de uma maneira, conforme visto em Seu pré-conhecimento. Você concordou que depois que Deus cria, então Ele pré-conhece num tempo em que Ele era o único agente. Se o futuro não foi estabelecido, ele não poderia ser pré-conhecido. Se pré-conhecido, então ele foi estabelecido por Deus.
 
Finalmente, deixe-me dizer que foi um grande privilégio debater com um cristão gentil como você. Obrigado.
 
Tradução: Paulo Cesar Antunes

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Perguntas Respondidas

 A pergunta surge naturalmente: se Cristo morreu por todos, por que todos não são salvos? A resposta está no simples fato de que cada um deve crer que Cristo morreu por ele antes de poder participar dos benefícios de sua morte. Em João 8.24 Jesus disse: “Porque se não crerdes que eu sou, morrereis nos vossos pecados.” Lewis Sperry Chafer declara: “A condição indicada por Cristo, sobre a qual eles (os incrédulos) podem evitar morrer nos seus pecados, não se baseia no fato de ele não morrer a seu favor, mas sim em colocarem nele a sua fé... o valor da morte de Cristo, por mais maravilhosa e completa que seja, não se aplica aos não regenerados até que venham a crer.” [Lewis Sperry Chafer, Systematic Theology (Teologia Sistemática), Dallas, TX: Dallas Seminary Press, 1947, v. III, p. 97] Esta questão de necessidade é uma aplicação pessoal, pela fé, da graça salvadora de Jesus Cristo, como ilustrado pelos detalhes da noite da páscoa. A família israelita deveria matar um cordeiro e aspergir o sangue sobre as ombreiras e a verga das portas de suas casas e os moradores deveriam então permanecer nelas. Deus disse: “O sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes: quando eu vir o sangue, passarei por vós, e não haverá entre vós praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito” (Êx 12.13). Deus não olharia no quintal onde o cordeiro fora morto, mas nas portas de cada casa. Quando visse ali o sangue, o anjo da morte não pararia. Deve haver uma aplicação pessoal, pela fé, do sangue precioso que foi derramado por nós no Calvário.

William Evans resume o assunto admiravelmente quando diz:

“A expiação é suficiente para todos; ela é eficiente para aqueles que creem em Cristo. A expiação propriamente dita, à medida que coloca a base para o trato redentor de Deus com os homens, é ilimitada; a aplicação da expiação é limitada àqueles que creem verdadeiramente em Cristo. Ele é o salvador em potencial de todos os homens; mas efetivamente só dos crentes. ‘Ora, é para esse fim que labutamos e nos esforçamos sobremodo, porquanto temos posto a nossa esperança no Deus vivo, salvador de todos os homens, especialmente dos fieis’ (1Tm 4.10).”

Fonte: Guy P. Duffield & Nathaniel M. Van Cleave, Fundamentos da Teologia Pentecostal, Vol. 1, pp. 258-260

 

Uma doutrina arminiana crucial é a graça preveniente, na qual os calvinistas também acreditam, mas os arminianos a interpretam diferentemente. A graça preveniente é simplesmente aquela graça de Deus que convence, chama, ilumina e capacita, e que precede a conversão e torna o arrependimento e a fé possíveis. Os calvinistas a interpretam como irresistível e eficaz; a pessoa em quem ela opera irá crer e arrepender-se para salvação. Os arminianos a interpretam como resistível; as pessoas são sempre capazes de resistir à graça de Deus, como a Escritura chama a atenção (At 7.51). Mas sem a graça preveniente, elas inevitavelmente e inexoravelmente resistirão à vontade de Deus por causa de sua escravidão ao pecado.

Quando falamos de “graça preveniente” estamos pensando na que “precede”, que prepara a alma para a sua entrada no estado inicial da salvação. É a graça preparatória do Espírito Santo exercida para o homem enfraquecido pelo pecado. Pelo que se refere aos impotentes, é tida como força capacitadora. É aquela manifestação da influência divina que precede a vida de regeneração completa.

Em um sentido, então, os arminianos, como os calvinistas, creem que a regeneração precede a conversão; o arrependimento e a fé são somente possíveis porque a velha natureza está sendo dominada pelo Espírito de Deus. A pessoa que recebe a total intensidade da graça preveniente (isto é, através da proclamação da Palavra e a chamada interna correspondente de Deus) não mais está morta em delitos e pecados. Entretanto, tal pessoa não está ainda completamente regenerada. A ponte entre a regeneração parcial pela graça preveniente e a completa regeneração pelo Espírito Santo é a conversão, que inclui arrependimento e fé. Estes se tornam possíveis por dádiva de Deus, mas são livres respostas da parte do indivíduo. “O Espírito opera com o concurso humano e por meio dele. Nesta cooperação, contudo, dá-se sempre à graça divina preeminência especial.”

A ênfase sobre a antecedência e preeminência da graça forma o denominador comum entre o Arminianismo e o Calvinismo. É o que torna o sinergismo arminiano “evangélico.” Os arminianos levam extremamente a sério a ênfase neotestamentária na salvação como um dom da graça que não pode ser merecido (Ef 2.8). Entretanto, as teologias arminianas e calvinistas – como todos os sinergismos e monergismos – divergem sobre o papel que os humanos desempenham na salvação. Como Wiley observa, a graça preveniente não interfere na liberdade da vontade. Ela não dobra a vontade ou torna certa a resposta da vontade. Ela somente capacita a vontade a fazer a escolha livre para cooperar ou resistir à graça. Essa cooperação não contribui para a salvação, como se Deus fizesse uma parte e os humanos fizessem outra parte. Antes, a cooperação com a graça na teologia arminiana é simplesmente não-resistência à graça. É meramente decidir permitir a graça fazer sua obra renunciando a todas as tentativas de auto-justificação e auto-purificação e admitindo que somente Cristo pode salvar. Todavia, Deus não toma esta decisão pelo indivíduo; é uma decisão que os indivíduos, sob a pressão da graça preveniente, devem tormar por si mesmos.

Fonte: Roger E. Olson, Arminian Theology: Myths and Realities, p. 35-36

É verdade que o pastor começa 1Tm 2.1 solicitando que orações sejam feitas por todos os homens, e então especifica reis e governantes. O “todos” do verso 1 claramente não pode ser restringido tomando o verso 2 com o significado de “a saber, reis e governantes.”
 
Há mais a ser dito para a opinião de que ele queira dizer “todas as classes de pessoas, incluindo (por exemplo) reis e governantes (que vocês devem ter negligenciado).” Mas isto leva a um problema. O propósito da oração pelos governantes no verso 2 é “para que tenhamos uma vida quieta e sossegada.” Não é uma oração pela sua salvação (embora isso não seja necessariamente excluído), mas antes é uma oração para que governantes não-cristãos possam levar uma vida de tal forma que os cristãos não sejam molestados mas livres para viver uma vida devota. Mas então temos um problema com os versos 3-6, que oferecem um reforço muito estranho para um comando para orar para que cristãos possam levar uma vida sossegada.
 
É melhor assumir que o pastor começou a escrever no verso 1 de oração pela salvação de todos os homens e então foi desviado para mencionar a necessidade particular para orar pelos governantes para que os cristãos possam ter paz para viver uma vida devota. Admitidamente é estranho que o propósito de fato expressado pela oração não é um desejo pela paz para proclamar o evangelho (à maneira de Rm 15.31-32; 2Ts 3.2) mas pela paz para viver vidas devotas. Parece que o pastor está dizendo que orações de todos os tipos sejam feitas por todas as pessoas. Ele menciona incidentalmente a necessidade de incluir orações pelos governantes para que os cristãos possam viver em paz, mas seu principal pensamento é que orações sejam oferecidas pela salvação de todas as pessoas. O pensamento no verso 1 é assim reassumido no verso 3, e o verso 2 é parentético. Se assim, não há nenhuma razão para supor que “todos os homens” significa qualquer outra coisa que “todas as pessoas no mundo.”
 
Mas poderia a expressão no verso 1 ainda simplesmente significar “todas as classes de pessoas,” tais como reis, governantes, e outras categorias? Obviamente, se a referência é literalmente a “todos os homens,” então “todas as classes de homens” estão implicitamente incluídas e pretendidas. Mas se a referência é a “todas as classes de pessoas” – para quem a oração deve ser feita e quem Deus deseja que seja salvo – então o pastor está declarando que, visto que o propósito salvífico de Deus inclui pessoas de todas as classes, devemos orar por todas as classes.      Mas como isto ajuda o defensor da doutrina da expiação limitada? Ele então tem que dizer que oração deve ser oferecida pelos “grupos eleitos dentro de todos os grupos na sociedade” – por exemplo, pelos reis eleitos dentro do grupo dos reis. Ele pelo menos sabe que haverá pessoas eleitas em todo grupo social, mas ele terá que projetar sua oração “para aqueles números (limitados) de pessoas dentro de todo e cada grupo que Deus pretende salvar.” Não há, obviamente, nenhuma razão para orar pela salvação dos não-eleitos, que não irão ser salvos; embora alguém possa orar para que eles não molestem os cristãos (v. 2). E há a dificuldade que alguém não sabe se indivíduos específicos pertençam aos eleitos ou não. Presumivelmente alguém simplesmente ora para que a vontade de Deus de salvar aqueles que são eleitos em todo e qualquer grupo social seja cumprida. Mas isto não é de fato o que o pastor diz aos seus leitores fazerem; ele ordena oração por “todas as classes de pessoas” (nesta interpretação), não para que oremos que a vontade de Deus relativa aos seus eleitos, que serão achados entre todas as classes de pessoas, seja cumprida. Dessa forma a interpretação da expiação limitada tem que recorrer ao que parece torcer o texto, e não há em qualquer caso nada no texto que sugira esta interpretação antes que a interpretação literal.
 
I. Howard Marshall, The Grace of God the Will of Man, 61-63

Ez 18.23 - Tenho eu algum prazer na morte do ímpio? diz o Senhor Deus. Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva?

Jn 4.11 - E não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive em que há mais de cento e vinte mil pessoas que não sabem discernir entre a sua mão direita e a esquerda, e também muito gado?

Mt 23.37 - Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, apedrejas os que a ti são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e não o quiseste!

Mr 16.15 - E disse-lhes: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura.

Jo 3.17 - Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.

Jo 12.47 - E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo.

At 17.30 - Mas Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens em todo lugar se arrependam.

Rm 5.18 - Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.

2Co 5.19 - Pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação.

1Tm 2.4 - [Deus] Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.

1Tm 4.10 - Porque para isto trabalhamos e lutamos, pois esperamos no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis.

Tt 2.11 - Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens.

1Jo 4.14 - E vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo.

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