Sep
28
2007
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III. A TRINDADE Pela Trindade, entende-se a união de três pessoas em uma só; Deus: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Mt 3.16, 17; 28.19; Jo 14.16, 17, 26; 15.26; 2Co 13.14; Ef 2.18; Hb 9.14; 1Pe 1.2. Quase todas as nações pagãs da antiguidade reconheciam uma trindade, o que constitui pequena evidência da verdade desta doutrina. Quase todo o mundo cristão está acorde neste ponto, não importa quanto difira em outros – os Episcopais, os Presbiterianos, os Metodistas, os Batistas, os Luteranos, os Independentes, os Congregacionalistas, os Valdenses, e muitas outras denominações menores, juntas com as Igrejas extensivas, Grega e Romana. A principal, senão a única, objeção levantada contra esta doutrina é que ela é absurda e contraditória. Mas, não é tal, nem mais que a doutrina que ensina a sua existência eterna. Ela é, na verdade, um mistério, e necessariamente assim permanecerá para nós. A sua incompreensibilidade, contudo, apenas prova que nós somos entes finitos, e Deus não. A doutrina não envolve nenhum absurdo nem contradição; porque, independente das Escrituras, ela tem a razão e a analogia do seu lado. Tome-se, por exemplo, o Sol no firmamento, e achar-se-á que ele é três em um. Há o orbe, a luz e o calor. A cada uma destas partes chamamos Sol. Quando se diz que o Sol tem quase novecentas mil milhas de diâmetro, fala-se do orbe; quando se diz que o Sol está brilhando, fala-se da luz; quando se diz que o Sol está quente, fala-se do calor. O orbe é Sol, a luz é Sol e o calor é Sol; estas partes são cousas diversas, e, entretanto, há só um Sol. Por outro lado, examinemos o homem, e acharemos mais um exemplo desta mesma verdade. Todo homem vivente é exemplo de uma trindade e unidade em sua própria pessoa. Ele tem uma alma, um espírito racional, e o corpo, e chamamos a cada um pelo mesmo nome, homem. Quando dizemos: “O homem é imortal,” falamos da sua alma; quando dizemos: “O homem é douto,” falamos do seu espírito; quando dizemos: “O homem está doente ou morto,” falamos do seu corpo. A cada uma destas partes chamamos “homem.” Elas são todas diferentes uma das outras, e contudo não há três homens, mas um só. No próprio espírito discerne-se uma espécie de trindade. Há o juízo, a memória e a imaginação; três faculdades, cada uma das quais chamamos espírito. O rol de cada uma é distinto; a imaginação inventa idéias, a memória as retém e o juízo compara e decide. Ora, cada parte é chamada espírito, e não há três espíritos, mas um só. Outra prova da trindade se acha numa notável particularidade da língua hebraica, a qual não tem paralelo em qualquer outra língua. De imediato, a primeira e mais comum denominação da divindade nas Escrituras originais é Eloim. Que esta palavra é plural não resta dúvida, não só pela sua formação, como também porque aparece unida a outras palavras no plural. O primeiro exemplo ocorre logo no primeiro período da Bíblia, e pelo menos em dois mil e quinhentos outros lugares. Esta particularidade de idioma supõe-se ter originado de um desígnio de imitar a pluralidade na natureza da Divindade, e assim excitar e preparar os espíritos dos homens para a plena declaração deste mistério que Deus tencionava fazer. Não há outra razão a dar desta particularidade; e, enquanto ela por si só não é prova suficiente, como a doutrina aparece em outras partes, ela constitui pelo menos um importante auxílio. Posto que a mais forte tentação dos patriarcas e dos hebreus era abraçar o politeísmo predominante, ainda assim Deus se lhes revelou por um nome plural, quando o nome singular JEOVÁ era mais adaptado ao monoteísmo. Donde concluímos que o nome plural foi escolhido para prognosticar a futura revelação da Trindade, da qual Jeová é uma das pessoas. Deveria haver por força alguma razão importante para tanto arriscar a fé na Unidade de Deus. A forma da bênção sacerdotal (Nm 6.24-26) é tríplice, como a bênção apostólica. 2Co 13.14. As três pessoas em um só Deus, posto que distintas, não são separadas. Dá-se o mesmo com o corpo e a alma do homem enquanto ele vive neste mundo, e assim também é com as faculdades do espírito. Como no Sol material, a luz e o calor procedem do orbe, e contudo os três têm a mesma duração, assim na Divindade, o Filho e o Espírito procedem do Pai e todos os três têm a mesma duração. Os mesmos ATRIBUTOS e ATOS, nas Escrituras, são dados a cada uma das três pessoas sem distinção. ETERNIDADE. Dt 33.27; Hb 1.8; 9.14. ONIPRESENÇA. Jr 23.24; Sl 139.7; Mt 18.20. ONISCIÊNCIA. At 15.18; Jo 21.17; 1Co 2.10. ONIPOTÊNCIA. Gn 17.1; Mt 28.18; Ap 11.11. SABEDORIA. Dn 2.20; Cl 2.3; Ef 1.17. INSPIRAÇÃO. 2Tm 3.16; 1Pe 1.11; 2Pe 1.21. SANTIFICAÇÃO. 1Ts 5.23; Hb 13.12; 1Pe 1.2. O ato da CRIAÇÃO. Gn 1.27; Jó 33.4; Jo 1.3. DOADOR DA VIDA. At 17.25; 2Co 3.6; Cl 3.4. Em uma palavra, TODAS as operações divinas são atribuídas à mesma adorável Trindade (Ver 1Co 12.6; Cl 3.11). A palavra “trindade” não se acha nas Escrituras nem mais que as palavras “onipresença,” “ubiquidade,” etc. As doutrinas expressas por esses termos não são, entretanto, menos escriturísticas por isso. Na teologia, os cinco livros de Moisés são chamados o Pentateuco, e os dez mandamentos o Decálogo. Estes livros e leis não são menos reais pelo fato de não serem da Escritura os termos pelos quais são conhecidos. Os discípulos foram primeiro chamados cristãos em Antioquia, A. D. 42 ou 43. Mas de certo eles eram tão verdadeiros cristãos muito antes de lhes ser dado este nome, quanto o foram depois. Os principais erros com relação à Trindade são: 1. O Sabelianismo, ou doutrina dos Quakers modernos, que afirma haver só uma Pessoa, manifestando-se em três influências, operações ou ofícios. Esta doutrina conserva a divindade do Filho e do Espírito Santo, sacrificando a sua personalidade. 2. O Swedenborgionismo, que afirma haver três essências em uma só Pessoa – Jesus Cristo. Isto sustenta a divindade suprema do Filho, sacrificando a personalidade do Pai e do Espírito. 3. O Arianismo, que nega a Trindade, fazendo o Filho e o Espírito criaturas exaltadas de Deus. Sua personalidade é conservada, com sacrifício de sua divindade. O moderno Unitarianismo, ou assim chamado Cristianismo Liberal, considera o Espírito Santo como uma influência, e Jesus Cristo como um simples homem, filho de José, de grande excelência moral, que é possível igualarmos e até mesmo excedermos.
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