Nov
21
2008
IX. Redenção-Propiciação Imprimir E-mail
Livros - Amos Binney - Compêndio de Teologia

IX. REDENÇÃO-PROPICIAÇÃO

 

Pela redenção entende-se a libertação do homem do pecado e da morte pela obediência e sacrifício de Jesus Cristo, que por isso é chamado o Redentor. Is 59.20; 60.16; Rm 3.24-26; Gl 3.13; Ef 1.7; 1Pe 1.18-19.

 

A culpa do pecado original é coberta pela propiciação e não é imputada a nenhum dos descendentes de Adão, senão quando o seu remédio é, voluntariamente, rejeitado. Portanto todos os que morrem na infância são salvos por Cristo, o segundo Adão, de toda conseqüência penal do pecado do primeiro Adão. Rm 5.18, 19; 1Co 15.22.

 

A propiciação impediu a extinção da raça humana e a propagação desta depois da Queda é sob as provisões da graça. Gn 3.15; Hb 2.14.

 

A causa atuante da redenção é o amor de Deus. Jo 3.16; 1Jo 4.9.

 

A causa eficiente é a morte propiciadora de Cristo. Mt 20.28; 2Co 5.21; 1Tm 2.5, 6; Hb 2.9, 10; 9.12-15; 1Pe 1.18, 19.

 

O fim da redenção é libertar o homem da ira da lei do pecado, da morte e do inferno e enchê-lo de bem-aventurança eterna. Jó 19.25, etc; Is 15; 9.11; Jo 3.15, 35; 10.10; 17.12, 3.

 

Pela propiciação entende-se a satisfação dada à justiça divina por Jesus Cristo, que pagou pela sua paixão e morte, a pena devida aos nossos pecados. Is 43.4-8; Gl 3.13; 4.4, 5.

 

A palavra hebraica significa cobertura e dá a entender que as nossas ofensas são, por uma propiciação adequada, postas ao abrigo da justiça vingativa de Deus. Sl 32.1, 2; Rm 4.7, 8. As seguintes passagens ensinam clara e distintamente esta doutrina. Mt 20.28; Jo 1.29; Rm 3.25, 26; 1Co 15.3; 2Co 5.18-21; 1Tm 2.5, 6; Hb 2.10-14; 1Jo 2.2; 4.10.

 

A propiciação era necessária para que Deus pudesse mostrar seu ódio ao pecado e seu amor à santidade, e para que ele pudesse ser honrado e justo, e, todavia, misericordioso. Rm 3.25, 26. Foi designada para ser satisfatória a Deus e de influência com o homem, removendo de diante de ambos todos os obstáculos a uma completa reconciliação do crente penitente. Jo 14.6; Ef 2.15, 16; Cl 2.13-15.

 

Se a propiciação não fora necessária, nem o Pai nem o Filho teriam consentido na morte do último para efetuá-la. Mt 26.39; Hb 2.10; 9.22, 28; Ap 5.9; 7.14.

 

O arrependimento, posto que acompanhado de obediência presente e futura, não pode expiar os pecados passados, nem mais do que a obediência passada pode expiar os pecados presentes e futuros. Jo 22.3; Sl 24.7; Lc 17.10.

 

A propiciação é universal e não particularizada; isto é, ela estende a sua eficácia condicional a todos os pecados do gênero humano, e não aos pecados de somente uns poucos chamados eleitos.

 

Vê-se isto pelo caráter de Cristo, pessoa de dignidade infinita.

 

Por isso sua paixão e morte são de infinito valor e eficácia. Concluir de modo diverso seria duvidar do caráter do divino Redentor.

 

Fica isto mais evidente considerando-se mandamentos, convites e exortações da Escritura. Deus é sincero e não podia tentar as suas criaturas. Mc 16.15, 16; At 17.30; Is 45.22; 55.1; Ap 22.17; At 2.21; 1Tm 2.1.

 

As Escrituras ensinam esta doutrina por declarações expressas. 1Jo 2.2; Hb 2.9; 1Tm 2.6; 2Co 5.14, 15; Jo 1.29. Entre todas as variedades de entes no universo, Cristo é o único qualificado para fazer a propiciação, sendo ele mesmo ao mesmo tempo divino e humano. Jo 1.18; 1Tm 2.5, 6; 3.16; Hb 2.9-18.

 

Há uma diferença entre a propiciação e a redenção. A propiciação é pelo pecado; a redenção é do pecado e do sofrimento. Podemos fazer distinção entre a propiciação e a sua aplicação, mas não entre a redenção e a sua aplicação. Podemos orar pedindo a redenção, mas não podemos pedir a propiciação.

 

É muito importante que se faça esta distinção: o não fazê-la dá origem a graves erros. Fazendo-se esta distinção, ninguém cairia na doutrina da salvação universal baseada na extensão universal da propiciação.

 

Existe grande diferença entre fazer-se uma festa e participar desta festa. Assim também há muita diferença entre a suficiência da propiciação e a sua eficácia. Ela é suficiente para o mundo inteiro, mas só é eficaz para a salvação daqueles que se arrependem e crêem. Lc 13.3; Mc 16.16; Jo 1.11, 12; 3.14-18; 5.38, 40; Rm 3.22-26; 1Tm 2.4-6; 4.10.

 

A propiciação é uma doutrina fundamental do Evangelho. O Cristo crucificado é o tema e a glória do Evangelho. Rm 1.15, 16; 1Co 1.23, 24; 22.2; Gl 6.14.

 

A doutrina da propiciação é toda tirada das Sagradas Escrituras. É ela que distingue o Cristianismo do Deísmo, do Maometismo, do Paganismo e de todas as outras religiões.

 

Erros a respeito da propiciação:

 

1. Que a ira do Pai contra os pecadores é aplacada pelos sofrimentos de Cristo, que derramou seu sangue para satisfazer a exigência pessoal do Pai. Refutação: a propiciação originou-se do Pai. Jo 3.16; Rm 5.8; Tt 2.11.

 

2. Que na propiciação não há satisfação e sim uma exposição da misericórdia de Deus como uma forte persuasão moral para atrair o pecador dos seus pecados, vestida na linguagem figurada do sistema sacrificatório dos hebreus. Refutado em Jo 1.29; At 20.28; Ef 1.7; Cl 1.14; Hb 9.12, 14; 1Jo 1.7; 2.2; Ap 1.5; 5.9. “A doutrina da Epístola aos Hebreus é, portanto, clara, isto é, que os sacrifícios legais eram alusão à grande e final propiciação operada pelo sangue de Cristo, e não que esta fosse uma alusão ÀQUELES.” – Butler, bispo.

 

3. Que os sofrimentos de Cristo são exatamente iguais à miséria eterna de todos os pecadores da família humana, e que, portanto, é injusto punir tanto o pecador como o seu substituto. Refutação: não há equação algébrica entre os sofrimentos de Cristo e os pecados do mundo. A propiciação foi o estabelecimento de um novo princípio sob o reinado da lei, a demonstração do fato que Deus pode “ser justo e justificador daqueles que crêem.” Rm 3.26. O mesmo sofrimento seria necessário para remir um pecador como para remir mil milhões.

 
Nov
10
2008
Livro Completo em PDF: O Despertamento Religioso de João Wesley Imprimir E-mail
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  Adicionado em Downloads o livro de James Richard Joy
  O Despertamento Religioso de João Wesley.






 
Oct
28
2008
Uma Objeção à Expiação Ilimitada Imprimir E-mail
Artigos - Benjamin Field
Uma Objeção à Expiação Ilimitada
 
Benjamin Field
 
A Student’s Handbook of Christian Theology, pp. 155, 156.
 
Como podemos responder à objeção que, “se Cristo morreu por mais do que aqueles que serão salvos, ele morreu em vão por muitos”?
 
Supõe-se nesta objeção que os termos sobre os quais ele se ofereceu foram, que todos por quem ele sofreu devem ser salvos. Isto alguma vez é sugerido na Escritura? Nunca. Mas somos claramente informados quanto às condições e termos de sua morte expiadora: “Assim importa que o Filho do homem seja levantado, para que todo aquele que nele crê não pereça,” etc. (Jo 3.14, 15) “Quem crer... será salvo.” (Mc 16.16). Se isso falhou, Cristo foi “levantado” em vão, mas isso nunca falhará, e, portanto, embora “quem não crer será condenado,” ele não foi “morto em vão.” “A vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna.” (Jo 6.40)
 
Mas se ainda for insinuado que parece lançar uma mancha sobre Deus supor que ele usaria meios para a salvação de pecadores que no final das contas se mostrariam ineficazes, eu tenho que dizer que, baseado neste princípio, o glorioso caráter de Deus estaria coberto de manchas. Ele não está diariamente, em sua Providência, usando meios com os pecadores, e nos convites, exortações, advertências, persuasões, incitações, exemplos e comandos de sua palavra? A pregação de Cristo e seus apóstolos nunca foi ineficaz? Quão limitado na visão é o homem! Como podemos ter a certeza de que uma coisa é realmente em vão, pela razão de que, na verdade, ela pode não corresponder ao fim que teríamos esperado? Podemos compreender, como se tivéssemos uma mente infinita, todos os possíveis propósitos de cada obra do Todo-poderoso? Ele desobstruiu o caminho para que todos fossem salvos ao dar seu Filho para morrer por todos, e agora ele convida a todos, comanda a todos, e se todos não obedecem, a glória de seu amor ilimitado ainda é exaltada e mais notavelmente demonstrada pelo próprio fato de que ninguém foi excluído da salvação senão por sua própria insensatez.
 
Tradução: Paulo Cesar Antunes
 
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