IX. REDENÇÃO-PROPICIAÇÃO
Pela redenção entende-se a libertação do homem do pecado e da morte pela obediência e sacrifício de Jesus Cristo, que por isso é chamado o Redentor. Is 59.20; 60.16; Rm 3.24-26; Gl 3.13; Ef 1.7; 1Pe 1.18-19.
A culpa do pecado original é coberta pela propiciação e não é imputada a nenhum dos descendentes de Adão, senão quando o seu remédio é, voluntariamente, rejeitado. Portanto todos os que morrem na infância são salvos por Cristo, o segundo Adão, de toda conseqüência penal do pecado do primeiro Adão. Rm 5.18, 19; 1Co 15.22.
A propiciação impediu a extinção da raça humana e a propagação desta depois da Queda é sob as provisões da graça. Gn 3.15; Hb 2.14.
A causa atuante da redenção é o amor de Deus. Jo 3.16; 1Jo 4.9.
A causa eficiente é a morte propiciadora de Cristo. Mt 20.28; 2Co 5.21; 1Tm 2.5, 6; Hb 2.9, 10; 9.12-15; 1Pe 1.18, 19.
O fim da redenção é libertar o homem da ira da lei do pecado, da morte e do inferno e enchê-lo de bem-aventurança eterna. Jó 19.25, etc; Is 15; 9.11; Jo 3.15, 35; 10.10; 17.12, 3.
Pela propiciação entende-se a satisfação dada à justiça divina por Jesus Cristo, que pagou pela sua paixão e morte, a pena devida aos nossos pecados. Is 43.4-8; Gl 3.13; 4.4, 5.
A palavra hebraica significa cobertura e dá a entender que as nossas ofensas são, por uma propiciação adequada, postas ao abrigo da justiça vingativa de Deus. Sl 32.1, 2; Rm 4.7, 8. As seguintes passagens ensinam clara e distintamente esta doutrina. Mt 20.28; Jo 1.29; Rm 3.25, 26; 1Co 15.3; 2Co 5.18-21; 1Tm 2.5, 6; Hb 2.10-14; 1Jo 2.2; 4.10.
A propiciação era necessária para que Deus pudesse mostrar seu ódio ao pecado e seu amor à santidade, e para que ele pudesse ser honrado e justo, e, todavia, misericordioso. Rm 3.25, 26. Foi designada para ser satisfatória a Deus e de influência com o homem, removendo de diante de ambos todos os obstáculos a uma completa reconciliação do crente penitente. Jo 14.6; Ef 2.15, 16; Cl 2.13-15.
Se a propiciação não fora necessária, nem o Pai nem o Filho teriam consentido na morte do último para efetuá-la. Mt 26.39; Hb 2.10; 9.22, 28; Ap 5.9; 7.14.
O arrependimento, posto que acompanhado de obediência presente e futura, não pode expiar os pecados passados, nem mais do que a obediência passada pode expiar os pecados presentes e futuros. Jo 22.3; Sl 24.7; Lc 17.10.
A propiciação é universal e não particularizada; isto é, ela estende a sua eficácia condicional a todos os pecados do gênero humano, e não aos pecados de somente uns poucos chamados eleitos.
Vê-se isto pelo caráter de Cristo, pessoa de dignidade infinita.
Por isso sua paixão e morte são de infinito valor e eficácia. Concluir de modo diverso seria duvidar do caráter do divino Redentor.
Fica isto mais evidente considerando-se mandamentos, convites e exortações da Escritura. Deus é sincero e não podia tentar as suas criaturas. Mc 16.15, 16; At 17.30; Is 45.22; 55.1; Ap 22.17; At 2.21; 1Tm 2.1.
As Escrituras ensinam esta doutrina por declarações expressas. 1Jo 2.2; Hb 2.9; 1Tm 2.6; 2Co 5.14, 15; Jo 1.29. Entre todas as variedades de entes no universo, Cristo é o único qualificado para fazer a propiciação, sendo ele mesmo ao mesmo tempo divino e humano. Jo 1.18; 1Tm 2.5, 6; 3.16; Hb 2.9-18.
Há uma diferença entre a propiciação e a redenção. A propiciação é pelo pecado; a redenção é do pecado e do sofrimento. Podemos fazer distinção entre a propiciação e a sua aplicação, mas não entre a redenção e a sua aplicação. Podemos orar pedindo a redenção, mas não podemos pedir a propiciação.
É muito importante que se faça esta distinção: o não fazê-la dá origem a graves erros. Fazendo-se esta distinção, ninguém cairia na doutrina da salvação universal baseada na extensão universal da propiciação.
Existe grande diferença entre fazer-se uma festa e participar desta festa. Assim também há muita diferença entre a suficiência da propiciação e a sua eficácia. Ela é suficiente para o mundo inteiro, mas só é eficaz para a salvação daqueles que se arrependem e crêem. Lc 13.3; Mc 16.16; Jo 1.11, 12; 3.14-18; 5.38, 40; Rm 3.22-26; 1Tm 2.4-6; 4.10.
A propiciação é uma doutrina fundamental do Evangelho. O Cristo crucificado é o tema e a glória do Evangelho. Rm 1.15, 16; 1Co 1.23, 24; 22.2; Gl 6.14.
A doutrina da propiciação é toda tirada das Sagradas Escrituras. É ela que distingue o Cristianismo do Deísmo, do Maometismo, do Paganismo e de todas as outras religiões.
Erros a respeito da propiciação:
1. Que a ira do Pai contra os pecadores é aplacada pelos sofrimentos de Cristo, que derramou seu sangue para satisfazer a exigência pessoal do Pai. Refutação: a propiciação originou-se do Pai. Jo 3.16; Rm 5.8; Tt 2.11.
2. Que na propiciação não há satisfação e sim uma exposição da misericórdia de Deus como uma forte persuasão moral para atrair o pecador dos seus pecados, vestida na linguagem figurada do sistema sacrificatório dos hebreus. Refutado em Jo 1.29; At 20.28; Ef 1.7; Cl 1.14; Hb 9.12, 14; 1Jo 1.7; 2.2; Ap 1.5; 5.9. “A doutrina da Epístola aos Hebreus é, portanto, clara, isto é, que os sacrifícios legais eram alusão à grande e final propiciação operada pelo sangue de Cristo, e não que esta fosse uma alusão ÀQUELES.” – Butler, bispo.
3. Que os sofrimentos de Cristo são exatamente iguais à miséria eterna de todos os pecadores da família humana, e que, portanto, é injusto punir tanto o pecador como o seu substituto. Refutação: não há equação algébrica entre os sofrimentos de Cristo e os pecados do mundo. A propiciação foi o estabelecimento de um novo princípio sob o reinado da lei, a demonstração do fato que Deus pode “ser justo e justificador daqueles que crêem.” Rm 3.26. O mesmo sofrimento seria necessário para remir um pecador como para remir mil milhões. |